Curitiba - As duras críticas ao governo federal marcaram o primeiro encontro dos presidentes estaduais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) que tomaram posse no início do ano. No encontro realizado em Curitiba, 15 dos 25 presidentes manifestaram-se a favor do afastamento do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, em virtude do escândalo envolvendo o assessor parlamentar Waldomiro Diniz.
No discurso de abertura do evento, o presidente nacional da OAB, Roberto Busato, criticou a manobra da bancada de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Congresso, que inviabilizou a instalação de uma CPI para apurar as denúncias de que Waldomiro Diniz estaria cobrando propinas de bingos. ''Se o episódio tivesse se circunscrito à atuação de Waldomiro, haveria meios legais de puni-lo. Mas o episódio se alastrou pelo governo, e o próprio ministro José Dirceu se declarou incompetente para gerenciar a crise. O governo acabou inviabilizando a CPI e procurou subterfúgios para desviar a atenção do assunto'', afirmou Busato.
O presidente nacional da OAB defendeu o Poder Judiciário como uma instância legítima para decidir pela instalação de uma CPI no Congresso para analisar o caso. Busato citou a ação movida pelo PFL pedindo a CPI mesmo que os líderes dos partidos governistas se recusem a indicar nomes para compor a comissão. ''Não é uma interferência entre os dois poderes, uma vez que uma das atribuições do Judiciário é restaurar os direitos de quem se sente lesado, como o PFL'', lembrou Busato.
Para o presidente da OAB no Paraná, Manoel Oliveira Franco, a crise poderia ser contornada se não fosse a apatia de Lula. ''O Brasil está sem comando. O presidente delegou as decisões políticas e administrativas, e o que vemos é um ministério que não atua de forma conjunta. Sou favorável a uma reforma ministerial, mas ela pouco irá adiantar se não houver uma mudançana atitude do presidente'', ressaltou Oliveira Franco.
Apesar dos tons fortes dos discursos, Busato ressaltou que a OAB não se tornou uma entidade de oposição a Lula. ''A Ordem é uma entidade apolítica. Porém somos críticos, e procuramos sempre a crítica construtiva. Ao mesmo tempo que discordamos da postura do governo no caso Waldomiro, lembramos que o governo agiu de maneira correta ao restringir a criação de cursos de Direito sem condições técnicas de funcionamento'', destacou Busato.

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