Evangélicos têm tendência pró-Bolsonaro e relativizam mais coronavírus, indica Datafolha
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sábado, 11 de abril de 2020
Felipe Bächtold/Folhapress 
São Paulo - Os evangélicos tendem a avaliar de forma mais positiva o presidente Jair Bolsonaro e a relativizar mais a pandemia do coronavírus, de acordo com a mais recente pesquisa do Datafolha. Segundo levantamento feito de 1º a 3 de abril, os indivíduos que se declaram dessa corrente religiosa estão entre os que mais aprovam a atuação do presidente diante da pandemia.
De acordo com o instituto, o índice de ótimo ou bom atribuído à condução da crise pelo presidente passa de 33%, na população em geral, para 41% considerando apenas os evangélicos. Essa elevada taxa se compara, por exemplo, à obtida pelo presidente entre moradores do Centro-Oeste (também 41%) e supera numericamente a aprovação entre entrevistados do sexo masculino (38%), dois estratos também mais alinhados a ele.
Os entrevistados desse ramo cristão também são menos favoráveis à hipótese de renúncia do presidente - o índice cai, de 37% na população em geral, para 30% nesse recorte.
O Datafolha ouviu 1.511 pessoas por telefone, e a margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos. A mostra da pesquisa Datafolha considera que os evangélicos formam 31% da população com 16 anos ou mais, incluindo os do ramo pentecostal, que somam 15%. Os católicos são 51%.
GESTOS
Bolsonaro em seu governo costuma fazer gestos ao segmento evangélico, como comparecer a eventos, e já falou em nomear para o Supremo Tribunal Federal um ministro "terrivelmente evangélico". A indicação de um novo integrante do STF poderá ocorrer a partir de novembro deste ano, com a aposentadoria do ministro Celso de Mello.
No dia a dia, é comum Bolsonaro receber o apoio de fiéis de diferentes denominações na portaria do Palácio da Alvorada. Na semana passada, convocou um jejum religioso para que o país se livrasse "desse mal", em referência ao coronavírus.
O presidente se declara católico, mas sua mulher, Michelle, é evangélica. A proximidade com líderes religiosos vem desde a época da campanha eleitoral.
Além da avaliação de governantes, a pesquisa Datafolha incluiu perguntas sobre a percepção da população diante da crise e sobre o comportamento dos entrevistados.
Embora o apoio a medidas de contenção à pandemia continuem majoritárias no segmento evangélico, a tendência é de mais divergência em relação a como reagir à pandemia .
Enquanto na população em geral 37% consideram que as pessoas devem sair para trabalhar, em vez de permanecer em isolamento, entre evangélicos esse número sobe para 44%.
Líderes religiosos como Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, e Silas Malafaia já deram declarações alinhadas ao presidente em relação ao coronavírus.


