Nunca na história do País os evangélicos se mostraram tão presentes na política como nas últimas eleições. Conseguiram aumentar o número de parlamentares ligados às suas igrejas nas assembléias estaduais, na Câmara e no Senado. E pela primeira vez deram um passo significativo rumo a um sonho acalentado há tempos por vários líderes religiosos: eleger um presidente da República abertamente evangélico.
No Senado, os evangélicos perderam o senador goiano Íris Rezende, que não conseguiu se reeleger. Mas ganharam outros dois: o bispo carioca Marcelo Crivella, da Igreja Universal, e o batista Magno Malta, do Espírito Santo, ambos filiados ao PL. Vão trabalhar ao lado da senadora acreana Marina Campos, vinculada ao PT e originária da Assembléia de Deus.
Na Câmara Federal, de acordo com levantamentos preliminares das lideranças partidárias, o número de deputados evangélicos vai passar de 48 para 60 um aumento de 25%. Nas assembléias houve o mesmo movimento. Em São Paulo, o número de deputados estaduais evangélicos cresceu 57%, passando de 7 para 11.
Mas foi no Rio que a presença evangélica na política mostrou-se de maneira mais evidente. Os fluminenses deram 4,1 milhões de votos ao peemedebista Sérgio Cabral, que tem uma longa tradição na política carioca; e 3,2 milhões ao bispo cantor Crivella, que até hoje só havia disputado um cargo eletivo em sua vida. O Rio também elegeu uma governadora evangélica, a presbiteriana Rosinha Garotinho (PSB), que vai substituir Benedita da Silva (PSB), outra presbiteriana.
Nesta semana, nas entrevistas que deu para anunciar o apoio a Lula, Garotinho fez questão de deixar claro que já é candidato à sucessão dele, em 2006 o que serve para manter aceso o sonho do presidente evangélico.
O Brasil já teve um presidente protestante o sisudo general Ernesto Geisel, que chegou ao poder indicado pela cúpula das Forças Armadas, em 1984. Ele pertencia à histórica igreja luterana.

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