Evangélicos fazem campanha no púlpito
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sábado, 22 de agosto de 1998
Patrícia Zanin 
Em época de eleição, a maioria dos cultos evangélicos não são os mesmos. Pastores e líderes-candidatos misturam a pregação religiosa com a campanha política, diferente da Igreja Católica, onde os padres-candidatos precisaram ser afastados de suas funções. Os padres cumprem determinação da regional paranaense da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), que decidiu: política e religião não se misturam.
Já os evangélicos estão à vontade e podem fazer as duas coisas. São pelos menos sete candidatos de várias igrejas evangélicas a deputado federal e nove a deputado estadual. A maioria deles está filiada ao PPB e ao PDT (quadro ao lado). O número de padres-candidatos é menor. São três - a federal Padre Roque, de Ponta Grossa, candidato à reeleição, além de Adelino Gonçalves, de Mariluz, e Clemente Francisco Borecki, de Santa Maria do Oeste, ambos do PT e candidatos a deputado estadual.
A pregação dos evangélicos - que pertencem às igrejas Universal do Reino de Deus, Evangelho Quadrangular, Assembléia de Deus, O Brasil para Cristo, Luterana e Presbiteriana - centra fogo principalmente na família, na educação e na segurança.
A família está destruída. É preciso resgatar os princípios bíblicos. Onde se constrói uma igreja e se prega a palavra de Jesus evita-se erguer uma cadeia. Não resta muita coisa a não ser Jesus, diz o pastor Adão Corrêa, da Igreja Batista Nacional, de Curitiba, candidato a deputado federal pelo PDT. Ele não exerce a função. Prefere pregar via TV, onde mantém um programa evangélico há seis anos. Proibido pela legislação eleitoral de falar ao público durante a campanha, pôs os filhos para comandar o programa.
Corrêa diz que a comunidade evangélica no Estado chega a 30%, o que representaria 2 milhões de eleitores. Ele espera que esse percentual tenha reflexo nas urnas. A representatividade do Paraná na Câmara e na Assembléia deixa muito a desejar, afirma. São apenas dois - o deputado federal João Iensen (PPB) e o deputado estadual Hidekazu Takayama (PFL), ambos de Curitiba e candidatos à reeleição.
Ele lembra que em outros estados como São Paulo e Rio de Janeiro, a atuação política de evangélicos é mais expressiva. Anthony Garotinho, que deve ser eleito no Rio, e Francisco Rossi em São Paulo. Os dois são evangélicos, diz Corrêa. A baixa representatividade do Paraná também é motivo de reclamação para o pastor Bernardino de Oliveira, da Universal do Reino de Deus. Em outros estados a bancada é expressiva.
Ele é vereador em Curitiba e candidato a deputado federal pelo PPB. Pastor há 19 anos, ele diz que quase não tem tido tempo de pregar na Igreja. Mas oração e pregação por aí a gente faz sempre. Não sei por quanto tempo serei político, mas, pastor, para o resto da minha vida, afirma.
Valdemir Araújo Carneiro, vereador em Londrina e membro da Assembléia de Deus, tenta uma vaga para a Assembléia pelo PMN, apostando que a participação dos evangélicos na política pode aumentar. Para isso é preciso politizar, pregar a palavra de Deus, afirma.
Embora muitos fiéis ainda torçam o nariz para essa mistura de religião com política, os pastores evangélicos afirmam que a incursão deles pelo segundo tema é um caminho natural, e, na maioria dos casos, sem volta. A política é um caminho espinhoso, mas está no dia-a-dia do ser humano e não se pode fugir dela, diz o pastor Pedro Cortez, de Telêmaco Borba, candidato a deputado estadual pelo PPB.Marcos BorgesAo rebanhoPastor Pedro Cortez, de Telêmaco Borba, durante culto: Vocês já sabem por que não estou no rádio, mas depois do dia 4 de outubro estarei de voltaAo contrário dos padres-candidatos, que estão afastados da Igreja Católica, líderes de outras denominações fazem as duas coisas


