EUA só vão apoiar Estado palestino se Arafat sair
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segunda-feira, 24 de junho de 2002
Agência Folha 
Washington O presidente dos EUA, George W. Bush, afirmou ontem em Washington que apóia a criação de um Estado palestino provisório desde que haja uma nova e diferente liderança palestina. A declaração deixou claro que Bush está descartando o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Yasser Arafat, como parceiro nas negociações, apesar de em nenhum momento ter citado o nome do palestino.
A paz requer uma nova e diferente liderança palestina. Somente assim um Estado palestino pode ser criado. Eu peço ao povo palestino que eleja novos líderes que não estejam comprometidos com o terrorismo, disse o presidente, ao anunciar a sua nova política para o Oriente Médio.
Apesar de Bush descartar Arafat, a ANP afirmou em comunicado que ele e a direção palestina recebem positivamente as idéias propostas. Em seguida, Arafat anunciou eleições para o início do próximo ano. Seu atual mandato, obtido nas urnas em 1996, já se encerrou. Ele alegava que a violência da Intifada impossibilitava novas eleições.
Mais duro, Saeb Erekat, principal negociador palestino, disse que a ANP rejeita a remoção de Arafat que está sob cerco israelense em seu QG em Ramallah como condição para o estabelecimento de um Estado. Líderes palestinos não caem de pára-quedas de Washington nem de nenhum outro lugar. Os líderes palestinos são eleitos diretamente pelo povo palestino. O presidente Arafat foi escolhido em eleições livres, afirmou.
Um Estado palestino nunca será criado por meio do terrorismo, afirmou Bush. Hoje, as autoridades palestinas estão encorajando o terrorismo, não o combatendo. Para Bush, além de escolher uma nova liderança, os palestinos devem criar instituições democráticas, fortalecer o Legislativo e o Judiciário, reformar os órgãos de segurança e trabalhar junto com Israel para combater o terrorismo. As fronteiras finais do Estado e certos aspectos referentes à soberania seriam resolvidos apenas em um acordo final.
Segundo assessores de Bush, se as condições requeridas por ele forem implementadas, o Estado provisório palestino seria criado em cerca de 18 meses. O Estado definitivo viria em três anos, após um acordo final resolver as disputas mais delicadas, tais como o direito de retorno de refugiados palestinos, os assentamentos judaicos em Gaza e Cisjordânia e a divisão de Jerusalém.
Retirada Bush pediu aos israelenses que se retirem das áreas sob controle palestino, recuando para as posições anteriores ao início da Intifada levante palestino contra a ocupação israelense, iniciada em setembro de 2000 e interrompam a expansão das colônias em Gaza e Cisjordânia.


