EUA querem manter bom relacionamento
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 26 de agosto de 2002
Leila Suwwan<BR>Agência Folha 
Brasília - O diretor de Planejamento Político do Departamento de Estado dos Estados Unidos (EUA), Richard Haass, está no Brasil para discutir política econômica e relações exteriores com os assessores dos candidatos à Presidência José Serra (PSDB), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Ciro Gomes (PPS).
Segundo ele, o objetivo da viagem é enfatizar a importância do país e estabelecer uma boa relação com ''quem quer que seja vitorioso'' na eleição presidencial de outubro.
''Estou interessado em colher as perspectivas de como estão indo as eleições e ter uma idéia de quais políticas vão caracterizar seus governos caso ganhem'', disse, sobre o encontro com assessores dos candidatos.
No início da noite de ontem, Haass se encontrou com o coordenador de campanha de Serra, Pimenta da Veiga, e com o secretário-executivo, Milton Seligman. O presidenciável também esteve com o diretor para tratar sobre o protecionismo dos EUA em relação a seus produtos.
Acompanhado da embaixadora dos EUA Donna Hrinak, Haass se encontrou ontem com o ministro Pedro Parente (Casa Civil), de quem ouviu um relato sobre as reuniões dos candidatos com o presidente Fernando Henrique Cardoso, na semana passada, e as posições que foram apresentadas sobre o acordo com o FMI (Fundo Monetário Internacional) e as metas fiscais.
Haass também conversou com o general Alberto Cardoso, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, sobre o narcotráfico na Colômbia.
Ele adiantou que além de assuntos econômicos e comerciais, quer trocar idéias sobre como melhorar o combate ao narcotráfico e ao terrorismo no próximo ano.
Haass citou especificamente as relações com a Colômbia e disse querer elaborar novos meios de colaboração internacional com o país, caso seja a vontade do novo governo colombiano.
''Os Estados Unidos estão ansiosos para trabalhar com quem quer que saia vitorioso do processo político'', disse Haass. Ele disse que o Brasil é um ''valioso parceiro'' com quem seu país tem mais afinidades que diferenças.
Além da sondagem eleitoral, a viagem de Haass tem como objetivo amenizar o mal-estar causado pelas declarações do secretário do Tesouro dos EUA, Paul O'Neill, no início do mês, sobre supostos desvios de empréstimos internacionais. Na semana passada, a embaixadora chegou a reconhecer que seu país não dá a devida importância ao Brasil.


