São Paulo - Os deputados da CPI dos Correios que viajaram aos Estados Unidos em busca de detalhes sobre as contas do publicitário Duda Mendonça disseram ontem que o Departamento da Justiça americano vai investigar o assunto. O relator da CPI, Osmar Serraglio (PMDB-PR) e os sub-relatores Mauricio Rants (PT-PE) e Eduardo Paes (PSDB-RJ) estiveram no Departamento de Justiça, em Washington, onde receberam a informação de que o órgão vai designar dois procuradores federais para investigar as contas de Duda Mendonça e de pessoas ligadas a ele.
A investigação vai continuar mesmo depois do encerramento da CPI, daqui a dois meses. Os deputados também acreditam que o Fincen (Financial Crimes Enforcement Network), o órgão americano responsável por crimes financeiros, vai autorizar o acesso da CPI a todas essas movimentações financeiras.
O diretor do órgão, segundo os parlamentares, prometeu dar prioridade à análise do pedido, enviado em agosto do ano passado e perdido numa pilha de 7 mil pedidos de cooperação internacional. ''Ficou claro que eles não sabiam a gravidade das investigações que nós estamos fazendo no Brasil'', disse o tucano Eduardo Paes.
Os deputados dizem que a viagem serviu para mostrar a importância que o assunto tem no Brasil e aumentar a cooperação entre os dois governos também para futuras investigações. Os três retornariam ontem à noite ao Brasil.
O deputado Osmar Serraglio comunicou ao presidente da comissão, senador Delcídio Amaral (PT-MS), por telefone, que a viagem teve o resultado esperado. Após reunião com representantes do Fincen, Serraglio e os deputados Maurício Rands e Eduardo Paes, relatores-adjuntos, foram comunicados de que as informações serão encaminhadas ao Coaf (Conselho Administrativo de Controle de Atividades Financeiras), órgão do Ministério da Fazenda, que irá compartilhar os documentos com a CPI.
''Essa viagem teve efetivamente o resultado esperado'', disse Amaral, transmitindo manifestação do relator.
Delcídio aproveitou para pedir aos parlamentares da comissão maior cuidado na manipulação dos dados a serem recebidos, a fim de evitar vazamento de informações sigilosas como aconteceu durante os trabalhos da CPI do Banestado.
O episódio, ocorrido em 2003, dificultou a atuação da CPI dos Correios quando houve necessidade de acesso a dados sigilosos, em diligência semelhante à efetivada pela CPI do Banestado, relativos à remessa de recursos para o exterior.
As demais informações sobre as diligências realizadas por Serraglio e os relatores-adjuntos serão divulgadas em entrevista coletiva na próxima semana. (Com Agência Senado)

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