EUA e Brasil estreitam cooperação contra terror e o tráfico de drogas
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quarta-feira, 23 de março de 2005
Folhapress 
Brasília- Os Estados Unidos e o Brasil buscam estreitar sua cooperação em matéria de luta contra o crime organizado e o terrorismo, afirmou ontem em Brasília o secretário da Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld. ''Nossos dois países buscam formas para trabalhar juntos de maneira mais estreita para enfrentar as ameaças anti-sociais do crime organizado por parte de bandos de criminosos, narcotraficantes, sequestradores e terroristas'', destacou o funcionário americano em um entrevista coletiva com seu par brasileiro, José Alencar.
Rumsfeld se congratulou pela liderança regional assumida pelo Brasil e, em particular, pela contribuição deste país à Missão de Estabilização da ONU no Haiti (Minustah), integrada principalmente pelos capacetes azuis latino-americanos. ''O Brasil pode ficar orgulhoso da liderança que exerce na região e em várias partes do planeta. Mencionei especialmente o Haiti e a liderança do Brasil ao ter criado uma coalizão sem precedentes de países latino-americanos. É um contribuição bem-vinda para a estabilidade em nosso hemisfério'', sustentou.
Rumsfeld se reuniu pela manhã com Alencar e com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, antes de partir até Manaus (norte), onde visitaria a sede do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam), posicionados no Brasil com radares, sensores e vôos militares sobre sua selva tropical.
Donald Rumsfeld declarou-se ''preocupado'' com as compras de armas feitas pelo governo do presidente venezuelano Hugo Chávez. Rumsfeld concedeu uma entrevista à imprensa depois de um encontro com o ministro brasileiro, José Alencar, quando foi ouvido sobre a decisão de Chávez de comprar 100.000 AK-47 à Rússia. ''Não posso imaginar o que pode acontecer com essas armas. Não posso imaginar por que a Venezuela precise de 100.000 AK-47. Pessoalmente, espero que a compra não se realize. Não posso imaginar que isso seja uma iniciativa boa para o hemisfério'', acrescentou.
Alencar, por sua vez, tentou eximir-se de qualquer apoio a essa declaração, sublinhando que o ''Brasil sempre defendeu a autodeterminação dos povos e o princípio da não-intervenção''. Em seguida, o secretário de Defesa americano se reuniu com o presidente Luiz Inacio Lula da Silva.
Em relação às armas adquiridas por Chávez, na terça-feira passada, o general Bantz Craddock, chefe do Comando Sul-americano, chegou a declarar que a decisão de Caracas era ''perturbadora'', e que estava sendo avaliada em converações com os governos da região. A possibilidade de que os Kalashnikov terminem em mãos de guerrilheiros colombianos ou outros grupos armados da região ''seria algo muito, muito mau'', advertiu o general.
O governo venezuelano também comprou recentemente à Rússia 40 helicópteros militares que, segundo Chávez, devem chegar em breve ao país. Chávez também havia anunciado a compra de aviões ''Super Tucanos'' ao Brasil, além de demonstrar interesse em adquirir caças Mig à Rússia e radares para a proteção do espaço aéreo venezuelano ao Brasil ou à China.


