EUA contra o indigena na Bolivia
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terça-feira, 09 de julho de 2002
Agência EFE 
La PazO governo dos Estados Unidos pediu a alguns postulantes à presidência da Bolívia que não votassem no candidato socialista, o indígena Evo Morales, no Congresso, segundo afirmou ontem o candidato da Nova Força Republicana (NFR), Manfred Reyes Villa. Ele fez essa declaração ao canal Bolivisión de La Paz em uma entrevista em que foi perguntado sobre a existência de supostas pressões da embaixada norte-americana sobre os líderes políticos bolivianos.
Nas eleições bolivianas de 30 de junho, nenhum dos 11 candidatos obteve a maioria da votação e será o Congresso que designará o novo governante entre os dois primeiros, segundo estipula a Constituição. O Movimento ao Socialismo (MAS), liderado por Morales, ocupa o segundo lugar, com 20,94 por cento de apoio, atrás do ex-presidente Gonzalo Sánchez de Lozada, do Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR), que tem 22,46 por cento.
O chefe da NFR admitiu que se encontrou com o embaixador dos Estados Unidos em La Paz, Manuel Rocha, e que este lhe afirmou que ''não deveria fazer um acordo com o candidato do MAS'', para que Morales não fosse o próximo governante boliviano.
Reyes Villa afirmou que Rocha disse que ''a NFR não deveria'' pactuar com o dirigente sindical dos produtores de coca, os quais as autoridades bolivianas consideram cúmplice do narcotráfico por sua defesa do cultivo da planta da qual é extraída a matéria-prima da cocaína.
O diplomata norte-americano, três dias antes das eleições, pediu aos bolivianos que votassem em Morales e advertiu sobre o risco do governo de Washington suspender sua ajuda à Bolívia caso o dirigente dos produtores de coca fosse eleito presidente do país andino.
Por essa declaração, os dirigentes do MAS nomearam Rocha seu ''chefe de campanha'' porque, presumivelmente, o pedido do diplomata norte-americano fez a votação a favor de Morales crescer consideravelmente.
ApuraçãoA demora na transferência dos resultados de quatro urnas e uma ameaça de impugnação levaram a adiar por algumas horas o encerramento da apuração dos votos na Bolívia. Com 99,8 por cento dos votos apurados, das 19.995 seções eleitorais que funcionaram em 30 de junho, o Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR) é o partido mais votado, com 22,46 por cento. Em segundo lugar está o Movimento ao Socialismo (MAS), com 20,94 por cento.


