'Eu estava lá!': lembranças de atos bolsonaristas à venda em Brasília
PUBLICAÇÃO
domingo, 22 de janeiro de 2023
France Presse 

Brasília - Chaveiros “Eu amo Brasília”, ímãs com fotos da arquitetura de Oscar Niemeyer e canecas com fotos das manifestações bolsonaristas em frente ao quartel do Exército: as lembrancinhas da capital brasileira. “É uma recordação histórica de uma luta que foi difícil”, afirma Agnaldo Noleto, 52, vendedor de souvenirs turísticos há mais de 30 anos em frente à Catedral de Brasília, a poucos metros da Esplanada dos Ministérios.
As canecas brancas trazem estampada uma foto em que predominam as bandeiras do Brasil, símbolos dos atos bolsonaristas, com a legenda: "Manifestação no QG do Exército em Brasília. Eu estava lá!".
Noleto começou a produzir as peças - que vende por R$ 50 - em dezembro, depois que apoiadores de Bolsonaro se instalaram em frente ao quartel de Brasília pedindo às autoridades que impedissem a posse de Luiz Inácio Lula da Silva.
Mas com os ataques do dia 8 de janeiro, quando milhares de bolsonaristas radicais invadiram e saquearam as sedes dos Três Poderes, o item tornou-se impopular. "Não vendi nenhuma nestas duas semanas. As pessoas estão com medo, eu acho", declara.
Já os itens estampados com o rosto de Bolsonaro continuam em alta, garante Noleto. "Tudo acaba rápido, hoje não tenho quase nada", diz ao abrir sua barraca no domingo (22), duas semanas após o atentado em Brasília, e depois de vender sua última caneca com a imagem do ex-presidente.
“Os brasileiros preferem Bolsonaro”, afirma o vendedor que votou nele, mas mantém a barraca abastecida também com itens do presidente Lula, entre eles a caneca “Estive na posse do presidente”. "Mas só os europeus compram as (canecas) do Lula. Só vendi duas em duas semanas, e foram para uma francesa", afirma.
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