João Bosco, o catador de latas e uma das principais testemunhas da medida cautelar proposta sexta-feira pelo Ministério Público de Londrina contra Janene, disse ontem que os mais de R$ 20 milhões que movimentou a serviço do escritório político do deputado, foram na maioria depositados nas contas particulares de familiares e de funcionários do escritório.
Bosco trabalhou cerca de quatro anos para o deputado, até ser demitido no ano passado. Ganhando R$ 200 por mês e registrado como caseiro, o catador de latas afirmou que fazia todo o serviço bancário do escritório. ‘‘Eu era o trem pagador. Pegava os cheques, descontava nos bancos e fazia os depósitos em dinheiro’’, relatou.
Segundo Bosco, os cheques de até R$ 20 mil, eram nominais a ele e emitidos principalmente pela esposa de Janene, Stael Fernanda Rodrigues Lima, as filhas Michelle e Danielle Janene, a tia de Stael Fernanda, Maria Aparecida Rodrigues Lima, Meheidin Hussein Jenani, Rosa Alice Valente e Carlos Murari.
Também teriam sido depositados cheques nas contas das empresas Mercoluz Construções Elétricas Ltda., que até 98 estava em nome de Stael Fernanda e Danielle Janene, Tâmara Serviços Técnicos, Gomes e Amâncio Ltda., Cap Construção e Terraplenagem Ltda., e Transpereira Comércio, Transportes e Representações. Todas as empresas também são citadas em ações propostas pelo Ministério Público por participação em fraude em licitações públicas. O juiz da 5ª Vara Civil, Alberto Júnior Veloso, recebeu ontem a medida cautelar contra Janene e pretende despachar até segunda-feira.
João Bosco disse que no ano passado chegou a ser apreendido por oficiais, possivelmente da Receita Federal, em um caixa do Banco Banestado da Avenida Tiradentes, enquanto trocava cheques. Ele relatou que teria prestado depoimento durante duas horas e meia dentro de um utilitário, sobre a origem e o destino do dinheiro descontado diariamente nas agências do Banestado, Itaú, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Bosco disse que os oficiais somente o avisaram que o estavam investigando e não o procuraram novamente.
Bosco afirmou que desde o primeiro depoimento prestado ao Ministério Público, em junho, já sofreu três ameaças de morte. A última teria ocorrido há cerca de 60 dias, na Rua Castro Alves, Jardim Shangri-lá. Três homens o teria abordado e questionado os motivos que o teriam levado a depor contra o deputado. Mesmo com as ameaças, João Bosco disse que não tem intenção de se mudar da cidade. ‘‘Eu não tenho medo. Só estou contando a verdade’’, afirmou. (C.O.)

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