Brasília - Em discurso acalorado, o candidato à presidência do Senado, Renan Calheiros (PMDB/AL), ignorou as denúncias que pesam sobre ele e disse que ética ''é obrigação de todos''. Ele apresentou algumas de suas propostas para os dois anos de mandato e pediu votos. Escolhido por unanimidade dentro do partido, que só formalizou a candidatura de Renan no fim da tarde da última quinta-feira, o candidato destacou quatro eixos em que pretende trabalhar durante seu mandato: aprofundamento e continuidade das reformas e modernização da Casa; criação da Secretaria de Transparência; definição de prioridades legislativas; e compromisso do parlamento com a democracia e a liberdade de expressão.
''A gestão administrativa tem que ser pautada nos seguintes princípios: reduzir a despesa pública do Senado Federal, unificação de órgãos, qualificação continuada dos servidores; planejamento estratégico e governança'', disse. Segundo ele, essas medidas poupariam males como ''ineficiência e tédio''.
A Secretaria de Transparência que pretende criar não geraria, segundo Renan, custos adicionais para o Senado. ''Esse órgão terá com essa secretaria, agora na época digital, papel equiparado ao que teve a TV Senado, criada por Vossa Excelência (José Sarney).''
Renan disse que o estabelecimento de prioridades legislativas diminuiria as incertezas. ''Assim, nesse contexto federativo, vamos avançar em duas matérias de grande importância tributária e financeira. Precisamos aprovar rapidamente a regulamentação da avaliação periódica do sistema tributário nacional. Isso é fundamental para que possamos aferir a experiência do sistema tributário, a justiça fiscal, a complexidade da legislação.''
Com o banco de dados que também pretende criar, o peemedebista afirma que vai facilitar e qualificar as votações do Fundo de Participação dos Estados (FPE), Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e todas as questões relativas. ''Se no passado fomos capazes de remover o entulho autoritário, vamos ser capazes de resolver o entulho burocrático.''
Sobre o quarto eixo de suas propostas, o compromisso com a democracia e a liberdade de expressão, Calheiros disse que ''o Congresso Nacional será uma barreira sobre toda a iniciativa que queira de qualquer maneira arranhar a liberdade de expressão''. ''Alguns aqui, neste debate, falaram sobre ética. A ética não é objetivo em si mesma, o objetivo é o Brasil, o interesse nacional. A ética é meio não fim. É obrigação de todos nós, é responsabilidade de todos nós e dever deste Senado Federal'', enfatizou o candidato peemedebista.

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