Ética e corrupção dominam debate
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segunda-feira, 09 de outubro de 2006
Rodrigo Rötzsch<br>Folhapress 
São Paulo - A discussão sobre a ética e a corrupção dominou o primeiro debate entre os presidenciáveis Geraldo Alckmin (PSDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realizado domingo à noite pela Rede Bandeirantes. Usando um tom agressivo durante todo o tempo, o presidente e o ex-governador de São Paulo promoveram um festival de trocas de acusação. No primeiro turno, o presidente Lula não participou de nenhum dos debates promovidos.
O caso da tentativa da compra de um dossiê contra tucanos por petistas, apontado como decisivo para a ida da eleição ao segundo turno, foi o primeiro foco de enfrentamento entre os candidatos. Logo na sua primeira pergunta a Lula, Alckmin quis saber de onde veio o ''dinheiro sujo'' - R$ 1,7 milhão - usado para a compra do ''dossiê fajuto''. Lula rebateu, dizendo querer saber, ''quem arquitetou o plano maquiavélico'' por trás desse dossiê. ''O único ganhador desse trambique todo foi meu adversário.''
Alckmin tentou ligar Lula ao escândalo, dizendo que ele poderia perguntar para ''seu churrasqueiro'', ''seu assessor especial'' e para ''o presidente de seu partido'' a origem do dinheiro. ''Olhe nos olhos do povo brasileiro, candidato Lula, e responda de onde veio o dinheiro.'' O tucano fazia referências aos envolvidos no escândalo: Jorge Lorenzetti, Ricardo Berzoini e Freud Godoy. ''Possivelmente o governador tenha saudade do tempo da tortura'', disse Lula, ao justificar que a polícia estava fazendo as investigações em seu tempo.
Em seguida, foi a vez de Lula tentar vincular Alckmin a escândalos. O presidente lembrou que o ex-ministro da Saúde Barjas Negri, investigado no caso das sanguessugas, é ''companheiro de partido'' de Alckmin e foi secretário no seu governo em São Paulo. O presidente questionou se o adversário sabia das ''transações obscuras'' de Barjas.
''Não meça as pessoas pela sua régua'', rebateu Alckmin. ''Não tenho no meu governo ministro condenado. Se há alguém que não tem moral para falar de ética, é o presidente Lula'', completou. A troca de acusações continuou debate adentro. Alckmin lembrou o caso do mensalão, da prisão de um petista com dólares nas cuecas e ironizou o uso da expressão ''nunca antes neste país'' por Lula.
''Nunca antes na história do Brasil nós tivemos cinco ministros denunciados pelo procurador da República, indiciados pela polícia ou denunciados pela corrupção'', disse, em referência a José Dirceu, Luiz Gushiken e Anderson Adauto, denunciados no inquérito do mensalão, Humberto Costa, denunciado por suspeita de participar da máfia dos vampiros, e Antonio Palocci, indiciado sob a acusação de ter mandado quebrar o sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa.
''O estranho não é ter ministro envolvido, o estranho é ter um governo que pune os ministros'', defendeu-se Lula. Ele lembrou que o ''valerioduto'' começou em 1998 na campanha do ex-presidente do PSDB Eduardo Azeredo em Minas Gerais e acusou Alckmin de engavetar CPIs em seu governo. A disputa rendeu uma tentativa de direito de resposta de Lula quando Alckmin o acusou de mentir. O pedido foi negado.
O tucano também questionou o presidente sobre os R$ 700 milhões gastos neste ano com os cartões corporativos do governo e desafiou Lula a abrir o sigilo do gasto dos cartões. Ele silenciou sobre abrir o sigilo dos cartões e preferiu fazer uma referência jocosa à ausência de FHC no debate. ''A única coisa boa que o Fernando Henrique criou no governo dele foi exatamente esse cartão corporativo. Aliás, vocês não trouxeram ele aqui por quê, por vergonha?''


