Um estudo interno da Sercomtel S.A. sobre as possibilidades da Sercomtel Celular no atual mercado de telecomunicações brasileiro mostra que a manutenção da telefônica londrinense como uma empresa pública poderá se tornar inviável frente à forte concorrência, sobretudo após a ativação das novas bandas C, D e E. Quanto mais demorar para vender, mais o negócio pode ser desvalorizado, correndo o risco de virar um ‘‘mico’’ nas mãos da prefeitura.
O trabalho – que a Folha teve acesso – vai além, sugerindo que a definição pela venda ou não da estatal deve ser rápida, em até dois meses. E revela o nome da principal interessada no negócio. ‘‘Considerando que a possibilidade de venda da Sercomtel Celular para a Tele Centro Sul (controlada pelo grupo italiano Telecom Itália Móbile – TIM) poderá se esgotar em breve, estimando-se a margem de tempo existente em apenas 60 dias, recomendamos que este assunto seja tratado formalmente’’, diz trecho do documento.
Assinado pelos funcionários de carreira Pedro Mangili, João Arcoléze e Antônio Gomes, o estudo relaciona uma série de argumentos contra e favoráveis à privatização da Celular considerando o mercado de comunicações do Brasil e também do exterior. A conclusão do trabalho será apresentada hoje em entrevista coletiva do prefeito Nedson Micheleti (PT) e do presidente da Sercomtel, Roberto Francisco. As alegações pró-venda, no entanto, são mais contundentes.
‘‘A combinação dos custos elevados das licenças com o custo da tecnologia poderá alijar a maioria dos competidores, deixando o mercado disponível para a dominação de grandes grupos’’, relata o trabalho, citando matéria publicada na revista Business Week sobre as tendências dos mercados EUA e da Europa. ‘‘A competição e a definição do modelo SMP (serviço móvel pessoal) estão gerando no Brasil eventos semelhantes aos que ocorrem no Primeiro Mundo’’, observa, em seguida.
As dificuldades de sobrevida da Sercomtel Celular são evidenciadas pela estimativa de que o mercado brasileiro será dominado em breve por cinco gigantes da telefonia. O relatório destaca que a Global Telecom – hoje única concorrente direta da empresa londrinense – foi absorvida pela Portugal Telecom, que por sua vez firmou uma joint venture com a Telefonica espanhola. Isso fez criar o maior conglomerado de telefonia móvel do Brasil, com investimentos de US$ 10 bilhões.
O estudo faz ainda uma projeção de resultados para os próximos cinco anos e revela, num cenário otimista, que a Sercomtel Celular poderá ter um lucro líquido em 2005 de R$ 4,7 milhões, contra os R$ R$ 3,4 milhões projetados para este ano. Considerando um cenário pessimista, o lucro de 2005 despenca para R$ 947 mil.
A ameaça é reforçada por notícias de que a Portugal Telecom pretende dobrar o número de clientes até o final deste ano, além de investir, até 2002, R$ 500 milhões na Global Telecom. ‘‘Leilões e fusões levam à concentração do mercado, com ganhos extraordinários de escala’’, destaca o relatório – contrapondo que a escala reduzida resulta em custos operacionais elevados. Não bastasse o fôlego da concorrência, a Global mantém uma estrutura de lojas e revendedoras seis vezes maior que a da Sercomtel e disponibiliza aparelhos mais baratos.
Para acelerar a definição do destino da Celular, o relatório sugere que a empresa trate do assunto com a presidência da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e contrate uma consultoria externa para um novo estudo de viabilidade. ‘‘Novos fatos que estão por vir, tais como o leilão da Banda E (realizado dia 13 de março), e ampliação da análise, realizada sob outro foco, facilita, podendo surgir alternativas ainda não vislumbradas.’’

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