Estudo será apresentado hoje a várias entidades
Ontem, novamente o prefeito Nedson Micheleti (PT) despontou como o alvo dos vereadores ao ser taxado de intransigente e inerte na condução da negociação salarial. Segundo o presidente da Comissão de Trabalho da Câmara, Luiz Carlos Tamarozzi (PTB), o próximo passo pela solução do impasse na greve será encaminhar a entidades da sociedade civil organizada o estudo elaborado pela Controladoria, a fim de elas ''ajudarem a Câmara a cobrar o prefeito um psocionamento menos inflexível''. A reunião de entrega será hoje às 18 horas na Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil).
''Com ou sem as verbas do SUS, o Executivo tem que entender que o servidor não pode ficar sem reajuste para o resto da vida. O prefeito que reduza as despesas, reveja o Plano de Cargos, Carreiras e salários (PCCS) e realize uma reforma administrativa: não dá mais para continuar'', afirmou Tamarozzi. ''Pelo nosso lado, chega de marcar reunião (com Nedson) e ele nao apresetar nada. Ele que analise esse estudo, tome as providências e comunique a Câmara - estou cansado de intransigência''.
Agora descontente com os abonos e PCCS que gereram desequilíbrio na folha, em relação à receita, foi a própria Câmara que aprovou, nos últimos anos, os projetos do Executivo que instituíam essas benesses - 70% de promoção a assistentes sociais, 100% à Procuradoria Jurídica e Fazenda, e abono de R$ 800 a 40 servidores do setor de licitação. O presidente do Legislativo, Orlano Bonilha (PL), diz se sentir ''enganado'' pela promessa do prefeito de o PCCS, por exemplo, não gerar impacto significativo.
''Votei com tranquilidade pelo PCCS, na época (e sob protestos de galerias cheias de servidores), porque havia entendimento de assembléia feita pela ex-diretoria do Sindserv. Hoje me arrependo, pois o impacto mínimo de que se falava, na verdade, gerou um verdadeiro caos'', definiu Bonilha. Para Tamarozzi, anular o PCCS é competência do Executivo, uma vez que é dele a lei que o estabeleceu.
Presente à divulgação do estudo, o diretor de Comunicação do Sindserv, Éder Pimenta, defende a postura de anulação do PCCS. ''Se aumentou o percentaul de gastos este ano em mais de 12% e o servidor não teve reposição, o prefeito tem que dizer onde está esse gasto: com comissionados? Terceirizados?'', questionou. Durante a exposição dos dados, do lado de fora, os grevistas realizaram mais uma assembléia de avaliação do movimento.
A assessoria de imprensa do prefeito atribuiu os 12% de aumento com pessoal em 2006 ''aos 2% a 2,5% de crescimento vegetativo anual da folha e à promoção (por conhecimento, concedida em julho) a 1,8 mil servidores''. A respeito da anulação do PCCS, o chefe do Núcleo de Comunicação da Prefeitura, Ricardo da Guia Rosa, afirmou que Nedson a analisará apenas ''se os vereadores oficializarem a proposta''. Já os cortes com comissionados e terceirizados, pelo jeito, estão descartados. ''Já estão sendo feitos ajustes, como corte de horas extras, fim da carga horária suplementar na Educação e mesmo as terceirizações, que barateiam o seviço'', defendeu o assessor. O prefeito não se manifestou sobre as críticas de intransigência. (J.G.)





