O grupo de estudos formado na Câmara de Vereadores para analisar a situação econômica, técnica e jurídica da Sercomtel vai requisitar a contadores da telefônica o desmembramento das contas da Celular e o que, e quanto, vem impactando no faturamento da empresa. A medida visa descobrir, também, se parte de uma dívida de R$ 14,5 milhões da móvel com a Fixa tem gerado tributação a esta, e se o valor sai do caixa como receita (da Fixa) e entra como despesa (da Celular). Os números do débito que se arrasta desde 2004 foram divulgados ontem pela FOLHA em declarações do presidente da Sercomtel, Gabriel Ribeiro de Campos.
A dívida e os números do faturamento foram assunto ontem da segunda reunião do grupo, que prevê se encontrar novamente na segunda-feira já com contadores da telefônica.
De acordo com o presidente do grupo, Sidney de Souza (PTB), há o entendimento interno de que, dos R$ 10 milhões repassados pela Fixa à Celular para pagamento de suporte corporativo de serviços - os R$ 4 milhões restantes se referem a contratos de mútuo de 2006 para cá -, a tributação incide sobre a Fixa. ''Para nós, esse valor entra como receita da Fixa e despesa da Celular - então, a carga tributária, que é alta, acaba onerando é a Fixa'', disse o petebista. Conforme o vereador, o desmembramento dos fatores de impacto no faturamento vão definir não apenas essa questão, como também que outros fatores vêm incidindo de forma significativa. ''Pelos balanços que temos de até setembro do ano passado, patrocínios, publicidade e folha de pagamento incidiram respectivamente 4,6%, 0,4% e 10,6% do faturamento de R$ 45.896 milhões registrado na telefonia móvel, em 2006. Em compensação, ICMS impacta 16,9%, e Cofins, 7,4%'', ilustrou. ''Agora é saber se nos resultados da Fixa o empréstimo à Celular também impacta tributariamente'', declarou.
Sidney descarta a hipótese de Campos sobre a suposta não relação entre a dívida com a Fixa e os prejuízos nos últimos balanços da móvel. ''São empresas de CNPJs diferentes; não vejo como possível a mera transferência de recursos via conta corrente (como o presidente da telefônica afirmara).''
Outro ponto de embate por parte do petebista e do líder do Executivo - também integrante do grupo -, Gláudio Lima, em relação a Campos, é sobre a origem do prejuízo: à FOLHA, ele dissera que seria em decorrência de se haver gastado mais que arrecadado. ''O problema não são os gastos, mas a arrecadação da empresa'', defendeu Gláudio.
Por meio da assessoria, Campos declarou que ''reafirma a posição repassada à reportagem'', mas preferiu ''não polemizar'': disse que vai aguardar o grupo aprofundar a análise e convidar funcionários da telefônica ''a esclarecer números e dúvidas''.

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