Estudo mostra importância da internet na política
PUBLICAÇÃO
domingo, 24 de dezembro de 2006
Agência Estado 
São Paulo - O estudo A Mídia e a Esfera Pública, feito por três professores da Escola Superior de Propaganda e Marketing
(ESPM), mostra que a internet influenciou o comportamento dos candidatos nas eleições de 2006 e começou a se consagrar como um mecanismo político-eleitoral. Na véspera do primeiro turno, a participação de internautas em blogs políticos chegou a 2,5 milhões de audiências diárias, somente a partir de domicílios; no You Tube, vídeos contrários aos candidatos presidenciais tiveram números espetaculares de visualização.
Um dos autores do estudo, o pesquisador Marcelo Coutinho, prevê que nas eleições de 2008 e 2010 a influência da internet será bem maior. Nessas eleições, a internet serviu para alimentar o eleitor orgânico ou engajado com informações que seriam depois reproduzidas por todas as mídias, explica Coutinho.
O estudo detectou que os blogs foram muito utilizados como balão de ensaio de notícias que as campanhas queriam disseminar. Nos dias de publicação de pesquisas de opinião, conta ele, as pessoas começavam a falar em números por volta do meio-dia. No meio da tarde, uma parte da mídia tradicional já dava notícias baseando-se nos blogs, que tinham se baseado nos balões de ensaio.
O vídeo contra o então candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, mais visualizado no You Tube foi uma entrevista a uma emissora de televisão australiana bruscamente interrompida pelo candidato depois que o repórter insistiu em perguntar sobre a repressão às rebeliões de maio e a suposta execução de 69 pessoas, que teria violado direitos humanos. A matéria inteira, postada no You Tube, teve 450 mil visualizações. O recorde do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, então candidato à reeleição, foi a filmagem em que o petista dizia que Pelotas (RS), era exportadora de veados 103 mil visualizações até hoje.
Coutinho diz que não pode projetar a importância da internet para as próximas eleições, mas estima que ela será crescente. Hoje, 30 milhões de eleitores têm conexão com a internet - um quarto do eleitorado.


