Estudo mostra déficit em prefeituras
PUBLICAÇÃO
domingo, 17 de setembro de 2000
Agência Estado De São Paulo 
Estudo inédito sobre as finanças municipais na última década revela que metade das 5.507 prefeituras do País gasta mais do que arrecada. Em 1998, 55% das cidades apresentavam déficit fiscal. Os números de 1999 ainda não foram consolidados. Esse porcentual, entretanto, vem diminuindo. Em 1995, 82,2% dos municípios não zeravam suas contas no fim do ano. Com a promulgação da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), em maio, a tendência desse índice é ser zerada nos próximos anos, diz o economista e geógrafo François Bremaeker, coordenador de Articulação Político-Institucional do Instituo Brasileiro de Administração Municipal (Ibam) e autor do estudo.
De acordo com o economista, a queda no total de cidades com déficit fiscal caiu fundamentalmente em função da estabilização da moeda. Com o fim da inflação, os orçamentos deixaram de ser peça de ficção, avalia.
O índice ainda elevado de prefeituras deficitárias, sustenta, deve-se ao volume crescente de atribuições assumidas pelas cidades a partir da Constituição de 1988. Isso aconteceu, por exemplo, com a municipalização dos serviços de saúde e educação.
Embora existam transferências federais e estaduais específicas para cobrir os serviços de saúde e educação, as prefeituras têm ampliado os próprios desembolsos nessas áreas. Entre 95 e 98, por exemplo, aumentaram em 85,9% suas despesas com saúde. Há uma série de outros encargos da União e dos Estados que os prefeitos assumem porque é deles que a população cobra, diz o presidente licenciado da Confederação Brasileira dos Municípios, Paulo Ziulkoski.


