Curitiba - ''Os parlamentares perderam uma boa oportunidade de mostrarem que não estavam subordinados ao governador'', disse o deputado estadual André Vargas (PT) se referindo à vitória já no primeiro turno do vice-governador Orlando Pessuti na eleição de ontem da Casa que definiu o novo conselheiro do Tribunal de Contas do Paraná. Mas a disputa foi acirrada. Por apenas um voto, o candidato vitorioso não amargou um segundo turno.
Responsáveis por definir quem iria ocupar a vaga do então conselheiro Kielse Crisóstomo da Silva, falecido no dia 8 de fevereiro, todos os 54 deputados compareceram na Assembléia Legislativa para a votação 28 deles, ou seja, a metade mais um (maioria absoluta), optaram por Orlando Pessuti, candidato indicado pelo governador Roberto Requião (PMDB) e desde o início da disputa cotado como o favorito na eleição.
Apesar disso, a possibilidade de um segundo turno devido ao crescimento de outros concorrentes, fez com que o presidente do PMDB no Paraná, deputado estadual Dobrandino da Silva, anunciasse, na semana passada, uma estratégia. O primeiro passo era convencer os outros dois deputados estaduais que se inscreveram na disputa Durval Amaral (PFL) e Sérgio Bradock (PMDB) a desistirem da vaga.
O argumento, conforme explicou Dobrandino da Silva, era informar os dois concorrentes que a disputa só traria ''desgaste'' já que Pessuti, extra-oficialmente, tinha mais de 30 votos na Casa. A estratégia, no entanto, não deu certo. Até o último instante, Sérgio Bradock, que conquistou cinco votos, falava em segundo turno. Durval Amaral, que obteve 15 votos, deixou clara sua participação na disputa: ''Meu objetivo era enfrentar a base governista''.
O deputado André Vargas chamou atenção ainda para o fato do governador ter feito ontem a entrega de 119 ambulâncias para diversos municípios. ''Ele agradou alguns deputados justamente no dia da decisão aqui na Casa'', acusou.
A advogada Dora Bertulio, que contava com o apoio do PPS e de parte do PT, foi a única candidata que obteve votos seis. Das 24 pessoas inicialmente inscritas na disputa, três desistiram e duas tiveram suas candidaturas canceladas por não compareceram às sabatinas.
Pessuti revelou que não gostaria de ser empossado no TC antes do dia 24, quando ele comemora 40 anos de filiação no PMDB (antes MDB). Aos 53 anos de idade, 20 anos somente como deputado estadual, Pessuti deve sair do partido para assumir o cargo de conselheiro. ''Encerro minha atividade política partidária, mas não deixo a vida pública. E quando achar conveniente eu saio do TC para voltar à política'', afirmou.

mockup