Estudiosos cobram explicações de Palocci
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sábado, 21 de maio de 2011
Gabriel Manzano<br> Agência Estado 
São Paulo - ''O ministro Antonio Palocci (Casa Civil) precisa, sim, vir a público e dar explicações sobre o espantoso aumento de seu patrimônio.'' A frase, da cientista política Celina Vargas do Amaral Peixoto, resume a impressão dominante entre historiadores, cientistas políticos e o meio acadêmico - ainda que, como ponderam muitos, o ministro não tenha nenhuma obrigação legal de revelar sua vida financeira.
Esse detalhe jurídico, adverte o historiador Marco Antonio Villa, da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), não representa grande coisa. ''Legalidade e justiça, no Brasil, são coisas dissociadas. Entre nós, cumprir a lei não significa fazer justiça''. Villa acrescenta: ''Se o ministro ganhou em um ano o que não havia ganho a vida inteira, isso causa grande estranheza. Por isso mesmo ele deve dizer como conseguiu esses recursos.''
Celina Vargas, que entre 1998 e 2002 ajudou a criar o Código de Conduta da Alta Administração - um texto de 19 artigos que impõe normas e limites ao comportamento de ministros e funcionários diretos da Presidência - lembra que a população ''paga e dá sustentação ao governo'' e, portanto, tem direito de ''cobrar e saber o que se faz com o dinheiro dos impostos.''
Estudioso antigo de questões éticas da sociedade, o filósofo Roberto Romano, professor da Universidade de Campinas (Unicamp), tem outro argumento: ''Um deputado não representa só a si mesmo, ou ao seu eleitorado. Representa todos os cidadãos, e ouvir as explicações é um direito da sociedade.''
E por que episódios como o de Palocci são tão frequentes? Romano e Celina Vargas batem na mesma tecla: o lobby nunca foi devidamente regulamentado no Brasil e deixa um campo aberto entre o público e o privado, entre política e negócios. ''Enquanto nos EUA e Europa lobista é uma profissão normal, com regras - e, portanto, com punições -, no Brasil o assunto é sempre engavetado no Congresso. E o que se vê é a prática de um lobby selvagem, não profissionalizado'', explica Romano.
As ''cláusulas contratuais de confidencialidade'', que Palocci invoca para não informar ao País a origem de seu novo patrimônio, despertaram ironia do filósofo José Arthur Gianotti, da USP. Numa entrevista, na sexta-feira, ele resumiu: ''Quando um cliente procura um político para uma consulta, deve saber que, de um momento para outro, pode ter sua confidencialidade exposta. Mas ele sabe que nada será dito. É obvio, porque senão ele não precisaria procurar o político!''


