Estudantes recepcionam Bolsonaro com protesto no Palácio Iguaçu
Grades foram colocadas em frente ao Palácio Iguaçu, para impedir que os manifestantes se aproximassem do prédio
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 10 de maio de 2019
Grades foram colocadas em frente ao Palácio Iguaçu, para impedir que os manifestantes se aproximassem do prédio
Mariana Franco Ramos - Grupo Folha 

Curitiba - Centenas de pessoas realizaram um protesto na tarde desta sexta-feira (10), na Praça Nossa Senhora Salete, em Curitiba, para recepcionar o presidente Jair Bolsonaro (PSL-RJ), que cumpriu agenda no Paraná - primeiro em Foz do Iguaçu (Oeste) e depois na capital.
Estudantes secundaristas, universitários, pesquisadores e professores, indignados com os cortes de mais de 30% nas verbas destinadas às instituições públicas de ensino, levaram faixas e cartazes e gritaram frases de repúdio ao governo federal. Também houve protesto contra a proposta de reforma da previdência, em tramitação na Câmara Federal, e a flexibilização do porte de armas.
Grades foram colocadas em frente ao Palácio Iguaçu, para impedir que os manifestantes se aproximassem do prédio. O policiamento no entorno foi reforçado. Do outro lado, um grupo bem menor, de aproximadamente 15 pessoas, demonstrou apoio ao presidente, com bandeiras do Brasil. A PM (Polícia Militar) acompanhou a movimentação. Até o fechamento desta edição, não houve qualquer registro de confronto ou confusão.
A estudante de Doutorado em Fisiologia Jéssica Lopes, da UFPR, conta que, se os cortes se confirmarem, sua pesquisa ficará em risco. "Trabalho no laboratório de Neurofisiologia, com modelo animal, estudando a Doença de Parkinson. A gente tenta novas maneiras de diagnóstico e tratamento e precisa de vários reagentes e anticorpos que são custeados pela universidade. São essas as verbas que estão sendo cortadas", diz.
"A Federal hoje, com o corte, não consegue pagar nem conta de luz e água, coisas básicas, que são essenciais. E a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) já informou também que não tem plano de pagamento a partir de agosto. Nós temos dedicação exclusiva. Nossas bolsas estão ameaçadas e as pesquisas também", lamenta.
Aluno do segundo ano de Psicologia na UFPR, Vitor Portela lembra que a diminuição nos repasses vem acontecendo há muito tempo. "Mas agora é o momento da gente se unir mais, porque o corte foi muito brusco. Temos que nos unir para garantir a universidade pública e gratuita para todo mundo. Aliás, a gente quer ampliar o acesso à universidade, que é um direito. Não tive dúvida que ia vir [ao protesto]. O que nos move é a esperança."
As bacharéis em Direito Maura Albuquerque e Larissa Graebin foram à manifestação para somar forças. Ambas também estudaram na universidade pública. "Precisamos mostrar que não são poucos os insatisfeitos diante não só do corte de verbas, mas dos demais atos [do govermo], como a reforma da Previdência, a liberação do porte de armas e a questão do meio ambiente", afirma Maura.
"É importante manifestar descontentamento com esse 'desgoverno', que mal começou e já realizou uma série de atos contra os direitos sociais mais fundamentais do ser humano. A reforma da Previdência vai prejudicar muito as classes sociais que já sofrem diariamente e a liberação do porte de armas vai aumentar a violência, especialmente contra a mulher. Num tempo tão curto, ele [Bolsonaro] conseguiu realizar tanta coisa negativa... As perspectivas então são pessimistas", completa Larissa.


