Os estudantes de Medicina da Universidade Federal do Paraná (UFPR) promoveram ontem uma manifestação com abraço simbólico no Hospital de Clínicas de Curitiba contra a greve dos professores e a suspensão do calendário escolar para ensino, pesquisa e extensão.
Com faixas falando sobre a precariedade da saúde pública brasileira e narizes de palhaço, os estudantes distribuíram cerca de 6 mil panfletos para a população dizendo que a greve não é o melhor caminho para garantir reposição salarial. ''Somos a favor das mobilizações dos professores e servidores técnico-administrativos da UFPR, mas sem greve'', afirmou Ricardo João Westphal Filho, diretor de imprensa do Diretório Acadêmico Nilo Cairo. Depois, eles fizeram manifesto em frente ao prédio central da UFPR.
De acordo com os universitários, o curso de Medicina precisa ter um tratamento diferenciado dos demais por prestar serviços essenciais para a população. ''Nós somos fundamentais para o funcionamento do Hospital de Clínicas e do Pronto-Socorro do Hospital do Trabalhador. A suspensão do calendário escolar afeta e traz um grande prejuízo ao HC, porque engloba residências médicas e estágios. O grande prejudicado novamente é a população'', afirmou Westphal.
Apesar de serem contrários à greve, os estudantes entendem que as reivindicações são justas. ''A gente compreende a situação dos professores e servidores federais. Sabemos que eles precisam de reposição salarial e melhor qualidade de trabalho. Mas existem outras formas de negociação com o governo federal. E a melhor delas é o diálogo'', disse o estudante.
Diariamente, são atendidos cerca de 200 pacientes no Pronto-Socorro do Hospital do Trabalhador. ''Neste caso especial paralisar os serviços é afrontar a população'', argumentou ele. Na UFPR, são cerca de 1,1 mil estudantes de Medicina distribuídos em 12 turmas.
O comando de greve informou que cerca de 80% dos professores e alunos da UFPR aderiram ao movimento desde o último dia 22. Já os servidores técnico-adminstrativos, em greve desde o dia 24 de julho, conseguiram a adesão de 60% da categoria.

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