Brasília - Cerca de 30 manifestantes espalharam esterco na porta da Câmara Legislativa do Distrito Federal, ontem, em protesto contra o esquema de corrupção conhecido como ''Mensalão do DEM'', que teria como chefe, segundo investigações da Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, o governador José Roberto Arruda (sem partido). Quatro policiais militares fizeram uma barreira humana para impedir que o grupo de manifestantes entrasse no prédio, mas não impediram a ação em frente à Câmara.
O estudante de Letras da Universidade de Brasília (UnB) Diogo Ramalho contou que o estrume foi recolhido em um pasto, em Sobradinho, cidade-satélite de Brasília. Foram usados dez sacos com capacidade para armazenar até 50 quilos. Ramalho explicou a intenção do protesto:
''Simbolicamente, significa essa sujeira que é a Câmara.''
''Arruda vai ganhar uma passagem para sair desse lugar. Não é de carro, nem de trem, nem de avião, é algemado, no camburão. Ô, Arruda, ladrão'', cantava o grupo, há pouco. O esquema que o governador é acusado de comandar consistia na arrecadação de propinas junto a empresas favorecidas por contratos com o governo e na distribuição do dinheiro a deputados distritais, secretários do governo, um integrante do Tribunal de Contas, empresários e o próprio Arruda.
Os estudantes tentaram entrar na Câmara Legislativa para assistir à reunião da CPI da Corrupção, marcada para começar esta tarde, mas foram impedidos pela Polícia. Em reação, os manifestantes começaram a gritar: ''Policial pai de família, não defenda essa quadrilha.'' Sem conseguir entrar no prédio, os estudantes aguardavam o começo da sessão da CPI sentados na calçada.

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