Estudantes desocupam plenário
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 16 de agosto de 2001
Luciana Pombo<BR>De Curitiba 
O plenário da Assembléia Legislativa foi desocupado ontem, por volta das 12h30, por 300 estudantes que ficaram acampados no local por cerca de 25 horas. Eles saíram pacificamente, cantando o Hino Nacional e gritando palavras de ordem. A decisão de desocupar o plenário foi tomada após a garantia de deputados oposicionistas de que a sessão plenária para discutir o projeto que revoga a venda da Copel seria realizada apenas na segunda-feira. Os estudantes receberam ainda a garantia de liberdade de manifestação do lado de fora da Assembléia e possibilidade de 100 lugares (definidos previamente com senhas) para entidades estudantis. Os que ficarem do lado de fora poderão acompanhar a sessão por telões.
O presidente sub judice da União Paranaense dos Estudantes (UPE), Madson de Oliveira, disse que os estudantes deixaram o prédio da Assembléia vitoriosos. ''Conseguimos duas vitórias importantíssimas para o povo do Paraná. A suspensão da votação de quarta-feira e o adiamento da pauta para segunda-feira'', avaliou. Os estudantes foram homenageados pelos deputados de oposição José Maria Ferreira (PSDB), Caíto Quintana (PMDB), Hermes da Fonseca (PT) e Tony Garcia (PPB). ''Se os estudantes de cara-pintada defenderam o País cassando Fernando Collor de Melo, vocês de cara-limpa defenderam a Copel'', salientou Quintana.
O coordenador executivo do Fórum Popular Contra a Venda da Copel, Nelton Friedrich, fez um discurso em apoio aos manifestantes. ''Vocês ficaram aqui confinados e são o exemplo de resistência e força democrática do nosso País. Esta foi a primeira vez que assistimos a este tipo de espetáculo no Paraná'', considerou.
O diretor da União Nacional dos Estudantes (UNE), Gustavo Petta, disse que cerca de 5 mil pessoas deverão se dirigir na segunda-feira para o local da sessão plenária para acompanhar mesmo que do lado de fora o resultado da votação. ''É de grande importância que a gente perceba que está fazendo parte da história do Paraná'', afirmou ele.
No início da manhã, os estudantes ficaram nervosos com a movimentação da Polícia Militar, que cercou todo o plenário e impediu a circulação de pessoas não credenciadas por corredores e proximidades. Os estudantes começaram a remover cadeiras e armários para todas as portas de acesso do plenário, temendo uma invasão. ''A gente está tranquilo aqui. Só queremos garantir nosso direito de participar do processo de discussão da Copel. Se eles invadirem, terão que usar a violência. Apenas estavamos fazendo barreiras para saber de onde eles pretendem vir'', alertava Valter Luiz Ziantonio, estudante de Engenharia Florestal da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Alguns estudantes reclamaram de ter sido agredidos com spray de pimenta por policiais militares.


