Estudantes dão lição de cidadania e política
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Fábio Cavazotti<BR>Reportagem Local 
O ato mais importante da política maringaense nesta segunda-feira aconteceu longe dos prédios de órgãos públicos. As ''autoridades'' presentes, apesar de não terem sido eleitas, deram uma lição de cidadania à política tradicional. O ato, que teve entrada livre e foi realizado no ginásio de esportes Chico Neto, teve como ponto alto a premiação de 60 estudantes que participaram de um concurso de redação com o tema ''Cidadania Fiscal''. No total, 18 mil alunos se increveram, com textos que abordaram a importância do controle social sobre a administração pública. O concurso é realizado pelo Observatório Social de Maringá, em parceria com diversos órgãos públicos e da sociedade civil. Os primeiros colocados receberam microcomputadores doados pela Justiça Federal.
A estudante do 1º ano do Ensino Médio do Colégio Paraná, Vanessa Alvarenga, 14 anos, que venceu a disputa em sua categoria, disse que o jovem precisa de bons exemplos para desenvolver uma conduta honesta perante a sociedade. ''Atualmente a gente vê mais os maus exemplos. A mídia mostra a corrupção, mas não se preocupa com as coisas positivas'', avaliou. Além disso, ela acredita que os próprios jovens precisam se ''esforçar mais'' para construir a própria personalidade de forma sadia. ''Corrupção para mim é tudo que a pessoa faz que não seja para o bem'', definiu.
Um ponto alto do evento foi a menção ao estudante cego Wesley Diniz Vieira, de 16 anos, aluno do Colégio Antônio Lisboa - que fez sua redação em braile. ''O prêmio incentiva os jovens a escrever. Muita gente tem boas idéias, mas não fala, e agora todos colocaram isso para fora'', contou. ''Eu acho que se os alunos forem devidamente incentivados - e vendo como está o Brasil hoje -, podem ser cidadãos melhores no futuro.'' Ele também afirmou que todo cidadão sabe quando está fazendo uma coisa errada. ''Honestidade começa consigo mesmo. Se a consciência te alerta de que algo está errado, você provavelmente está fazendo algo que não devia.''
A estudante de Sarandi, Cleice Meme Mancore, 16 anos, foi premiada por sua abordagem sobre sonegação fiscal e pirataria. ''Tive que pesquisar sobre o tema e aprendi bastante. Quanto mais produto pirata, menos impostos. Com menos impostos, teremos menos qualidade de vida também'', explicou. ''Quem perde com tudo isso é o próprio país.''
Já o estudante Marlon Brambilla, 16 anos, do Colégio Santo Inácio, se deteve sobre a necessidade de se demonstrar as benfeitorias feitas com o dinheiro dos impostos. ''É isso que mantém a estrutura física do país'', explicou. ''Por isso, é obrigação do governo tornar bem visível o que está sendo feito com os recursos.''
A professora Marilu Lobo Pappa elogiou a organização do concurso. ''Esse é o quarto ano do prêmio, e a gente percebe o crescimento. É muito importante isso porque temos que pensar hoje na formação dos nossos adultos do futuro.''


