Estudantes da UFPR invadem e tomam gabinete da reitoria
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quinta-feira, 13 de setembro de 2001
Dimitri do Valle 
Cerca de 100 estudantes ocuparam por volta do meio-dia de ontem o gabinete da reitoria da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Eles afirmam que não vão deixar o local enquanto não tiverem uma resposta do reitor Carlos Antunes dos Santos sobre a pauta de reivindicações apresentada há três semanas.
O principal pedido é para que o reitor proíba a cobrança de taxas na emissão de diplomas e outros documentos. Os manifestantes defendem a suspensão da contratação de professores fora do regime jurídico único, que não garante estabilidade. Eles querem ainda o cancelamento do pagamento de mensalidades nos cursos de especialização.
De acordo com o reitor, o conselho se reúne na próxima semana para discutir os desdobramentos da greve. Durante o encontro, ele garantiu que a pauta dos estudantes será discutida. Santos considerou que a ocupação da reitoria ''é injustificada''.
''Todos os canais de negociação estão abertos. Na semana passada tiramos uma comissão de professores, estudantes e funcionários para discutir a pauta.'' O reitor ponderou, no entanto, que muitas das reivindicações dependem de deliberação do governo federal.
Os universitários já haviam ameaçado invadir a reitoria na semana passada, mas recuaram depois que Santos enviou uma carta manifestando sua ''posição pessoal'' a favor da pauta de reivindicações. O assessor de imprensa do comando de greve dos estudantes, Nelson Echer, disse que as declarações do reitor não ajudaram no avanço das negociações. Os estudantes esperavam que depois de se posicionar, Santos convocasse uma reunião do Conselho Universitário, órgão máximo de decisões da UFPR, para discutir as propostas dos alunos.
No momento em que os estudantes ocupavam a reitoria, Santos não estava no gabinete. Um pró-reitor teria ameaçado chamar a Polícia Federal para prender os estudantes, mas segundo eles, o professor decidiu ceder as instalações da reitoria ao movimento.
Os estudantes estabeleceram um controle de acesso rígido até o local. Apenas universitários e a imprensa têm acesso garantido. Funcionários da reitoria só podem entrar ''em casos especiais''. Echer disse que a vigilância pretende impedir tumultos. ''Os estudantes serão os responsáveis pela manutenção do patrimônio público'', afirmou o reitor.
Em nota à imprensa, o comando de greve dos universitários destaca ''a possibilidade da ocupação durar um longo período; pois a reitoria tem se mostrado indiferente às reivindicações.''. Na nota, o comando afirma ainda que ''a desocupação ocorrerá somente com o atendimento das reivindicações, ou sob negociações; caso contrário, a reitoria não será desocupada''. Para Santos, a ocupação foi interpretada como ''um rompimento do diálogo'' por parte dos estudantes.


