Estudantes da UFPR desistem de ocupar gabinete de reitor
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quarta-feira, 05 de setembro de 2001
Dimitri do Valle 
Os estudantes da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que estão em greve há 15 dias, decidiram que não vão ocupar o gabinete do reitor Carlos Antunes dos Santos. A ameaça veio à tona depois de uma reunião entre os universitários e Santos na segunda-feira. O motivo do recuo teria sido uma carta divulgada ontem pelo reitor. No documento, ele se posiciona a favor de algumas das reivindicações da categoria, entre elas a suspensão da cobrança de taxas para obter comprovante de matrículas e diplomas.
Santos reitera na carta que a posição é ''pessoal'', mas os estudantes vão aproveitar o pronunciamento para tentar pressioná-lo, como presidente do Conselho Universitário, a convocar uma reunião com o propósito de discutir a pauta apresentada pelo comando de greve dos universitários. O conselho é o órgão máximo da UFPR onde são decididos os assuntos que afetam toda a comunidade acadêmica.
''A gente planejava ocupar a reitoria, mas como ele (Santos) escreveu a carta, a saída melhor é pressionar o conselho. A ocupação pode ser uma carta na manga em futuras negociações'', afirmou Nelson Echer, que integra o comando de greve dos estudantes da UFPR. Depois da assembléia, os manifestantes se juntaram aos professores e funcionários técnicos-administrativos da universidade que também estão em greve. Ontem, eles promoveram um abraço simbólico do prédio histórico da instituição, na praça Santos Andrade, no centro de Curitiba.
O presidente da Associação dos Professores da UFPR, Francisco de Assis Marques, disse que está em jogo a soberania do ensino público gratuito. ''Ninguém faz greve porque gosta, mas não há outra alternativa. O que nos preocupa não são apenas o salário ou o semestre perdido, mas o projeto que está sendo levado a cabo pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. O Brasil está sendo colonizado pelas superpotências. Estas questões estão relacionadas ao futuro do País.''


