Estrategistas de Serra tentam reverter queda
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segunda-feira, 23 de setembro de 2002
Christiane Samarco <br>Agência Estado 
Brasília A campanha do senador José Serra (PSDB) à Presidência da República vive atualmente sua pior crise. Não bastassem a queda apontada na última pesquisa Datafolha e o risco de vitória do PT já no primeiro turno da eleição, o tucano tem agora o candidato Anthony Garotinho (PSB) em sua cola e um prazo curtíssimo apenas 12 dias para tentar reverter este cenário negativo.
Serra está estacionado há semanas na faixa dos 19% da preferência do eleitorado, segundo diferentes pesquisas. Diante deste quadro, estrategistas do PSDB e do PMDB estiveram reunidos ontem e confessaram-se meio perdidos. A única certeza, por ora, é que o programa eleitoral do tucano não deve mais bater pesado no PT como fez na semana passada.
O candidato governista passou ontem o dia em conversas com marqueteiros e assessores mais próximos, reajustando o tom e regravando algumas passagens dos programas de campanha.
O cientista político Antônio Lavareda, um dos estrategistas da campanha de Serra, deixou claro que a tática dos ataques, embora inevitável, impunha riscos à candidatura tucana. O risco, apontado por Lavareda e comprovado pelo Datafolha, chama-se Garotinho. Foi ele quem capitalizou com a pancadaria tucano contra Lula. Enquanto a popularidade de Serra despencou nas grandes metrópoles, o candidato do PSB ganhou votos.
O retrato da crise na campanha da aliança PSDB-PMDB, com expressões de desolação em alguns casos, é exposto pelos aliados. ''Eu já estou para ficar doido com estas pesquisas e não sei mais de nada'', admitiu o líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), confuso entre os resultados do Ibope da semana passada, que mostrou Lula em queda de 2 pontos percentuais e o Datafolha de domingo, que registrou alta do petista de 4 pontos. ''Temos que fazer campanha; não vou mais olhar pesquisa'', disse Geddel.


