No fundo, a intenção dos deputados do PT não é só a de atrasar o processo e aguardar, por exemplo, a decisão do plenário da Câmara no caso José Dirceu. Os cinco parlamentares petistas buscam saídas regimentais para tentar penas mais brandas. Todos os processos enviados ao Conselho de Ética tratam da perda do mandato. Ao exigir da Mesa que discrimine caso a caso, diga qual foi a falta e qual deve ser a punição, eles tentam fugir do processo no Conselho.
Diz o regimento da Câmara que são quatro as penas por conduta atentatória ou incompatível com o decoro parlamentar: censura verbal ou escrita; suspensão das prerrogativas regimentais (proibição de discursos, por exemplo); suspensão temporária do exercício do mandato (mínimo de um mês e máximo de seis meses) e cassação. Quando a decisão é pela perda do mandato, imediatamente o Conselho manda o processo para o plenário. Lá, em votação secreta, no mínimo 257 deputados (metade mais um) têm de votar a favor da cassação.
No caso da suspensão temporária, também ocorre o mesmo. É o plenário que decide. Mas se a pena for a censura ou a suspensão das prerrogativas parlamentares, quem a aplica é a Mesa Diretora. O Conselho vota o processo contrário à perda do mandato e sugere à Mesa a pena mais branda. Exemplo recente foi o que ocorreu com o deputado Francisco Gonçalves (PPS-MG). O PL o processou por ter dito que uma vez havia visto malas com dinheiro. Como nada ficou provado, houve a aplicação de uma censura da Mesa ao deputado, por ter falado demais.
Durante a reunião de ontem, no apartamento de Paulo Rocha, na Superquadra Sul 111, o porteiro do prédio da Câmara se assustou com a quantidade de jornalistas, câmeras e fotógrafos. Pediu reforço policial, sob o argumento de que havia gente com a intenção de invadir o prédio. (J.D.)

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