O economista Paulo Leme, do banco norte-americano Goldman Sachs, de Nova York, disse que a estratégia do governo de esperar até as eleições de outubro de 98 para promover um ajuste fiscal foi atingida pelo crash global da semana passada.
‘‘A volatilidade internacional torna vulnerável a estratégia brasileira de financiar os déficits externos com a privatização e entrada de investimentos externos’’, disse.
Segundo ele, essa estratégia é extremamente arriscada no momento porque uma de suas hipóteses, que era a tranquilidade do mercado financeiro, não se cumpriu.
‘‘A estratégia econômica para a reeleição recomenda como prudência uma mudança de rumo, que é acelerar o ajustamento fiscal e as reformas estruturais’’, afirmou.
Impopular Leme disse que o ajustamento fiscal é impopular, mas, diante do quadro externo, a única decisão que cabe ao governo agora é quando vai ser feito o ajustamento.
‘‘Quanto mais for adiado, o ajustamento será mais custoso nesse ambiente internacional incerto’’, disse.
‘‘Se a medida é impopular hoje, ela vai ser muito mais impopular se o choque externo se agravar. Essa é a escolha do governo’’.
Leme disse que a desaceleração da economia vai causar uma queda do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) este ano para 3% e para 2% em 1998.

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