Estratégia econômica pode ser negativa para a reeleição
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 03 de novembro de 1997
Agência Folha São Paulo 
O economista Paulo Leme, do banco norte-americano Goldman Sachs, de Nova York, disse que a estratégia do governo de esperar até as eleições de outubro de 98 para promover um ajuste fiscal foi atingida pelo crash global da semana passada.
A volatilidade internacional torna vulnerável a estratégia brasileira de financiar os déficits externos com a privatização e entrada de investimentos externos, disse.
Segundo ele, essa estratégia é extremamente arriscada no momento porque uma de suas hipóteses, que era a tranquilidade do mercado financeiro, não se cumpriu.
A estratégia econômica para a reeleição recomenda como prudência uma mudança de rumo, que é acelerar o ajustamento fiscal e as reformas estruturais, afirmou.
Impopular Leme disse que o ajustamento fiscal é impopular, mas, diante do quadro externo, a única decisão que cabe ao governo agora é quando vai ser feito o ajustamento.
Quanto mais for adiado, o ajustamento será mais custoso nesse ambiente internacional incerto, disse.
Se a medida é impopular hoje, ela vai ser muito mais impopular se o choque externo se agravar. Essa é a escolha do governo.
Leme disse que a desaceleração da economia vai causar uma queda do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) este ano para 3% e para 2% em 1998.


