Estratégia é brilhante, diz advogado
Os sócios da Macrométrica Sistemas e da Macrométrica Pesquisas Econômicas que forem convocados pelos senadores da CPI dos Bancos foram orientados por seu advogado a não depor. Advogado das duas empresas, Manuel Messias Peixinho classificou de brilhante a estratégia adotada pelo ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes de se recusar a assinar o termo de compromisso de dizer a verdade em seu depoimento.
Vou aconselhar (os clientes) a se manifestarem da mesma forma. Vão ficar em silêncio, como prevê o direito constitucional, informa ele, salientando que, assim, em vez de 20 milhões de juízes (sua estimativa da audiência transmitida pela TV), haverá apenas um, caso sejam chamados pelo Ministério Público.
Com a recusa de Lopes, a CPI determinou a indisponibilidade de bens e a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico de todos os oito sócios das cinco empresas que compõem a Macrométrica - grupo fundado por Lopes e do qual, oficialmente, ele se afastou em 95 ao assumir uma diretoria do BC. A Macrométrica Sistemas e a Macrométrica Pesquisas Econômicas têm cinco sócios: Araci e Bruno Pugliese (mulher e enteado de Lopes), Fábio Miguel Lyrio, Luiz Fernando Souza Maia e Estevão Kopschitz. Peixinho, contudo, afirma que nenhum deles foi comunicado formalmente da decisão da CPI - classificada por ele de absurda. Os outros três sócios do grupo afetados pela decisão são Sérgio Luiz Bragança, Augusto de Alencar e Ronnie Lins de Almeida. Peixinho qualifica a CPI de um tribunal de exceção.
O advogado reclama que seus clientes não foram ouvidos antes da decisão da quebra de sigilo e da indisponibilidade de bens. Até agora, segundo ele, tampouco foram convocados. Gostaria de desafiar a CPI a convocar o pessoal do Banco Econômico e a abrir a caixa-preta do Proer (programa de saneamento dos bancos feito pelo governo federal), diz ele. É uma oportunidade boa para passar tudo a limpo. Vamos ver se ele tem coragem. Duvido.





