Estratégia do PSDB prevê levar Serra a redutos eleitorais de Lula
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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Carol Pires<br>Agência Estado 
Brasília - Com a desistência da pré-candidatura do governador de Minas Gerais, Aécio Neves, à Presidência da República, a cúpula do PSDB trabalhará durante as últimas semanas do ano para ''reorganizar o partido'', nas palavras do secretário-geral da legenda, deputado Rodrigo de Castro (MG). Castro e o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), trabalharão, nos próximos dias, um calendário de viagens que farão juntos, de janeiro a março.
Apesar da agenda complicada do governador de São Paulo, José Serra, a ideia é levar o governador paulista a todas essas viagens, para expor a imagem do pré-candidato do partido. Como Aécio Neves ocupou, nos últimos meses, a função de articulador nos Estados do Norte e Nordeste, onde o presidente Lula tem mais força, os tucanos avaliam que será indispensável a presença de Serra nesses locais. ''É claro que vai crescer a exposição do nome José Serra porque ele é o nome que o partido apresenta, diferente de antes, quando tínhamos duas opções'', resume Sérgio Guerra.
Em contrapartida, para afagar o governador mineiro, o PSDB realizará uma reunião da Executiva do partido em Belo Horizonte e, assim, deslocar as lideranças tucanas até o ninho de Aécio Neves. Segundo interlocutores da legenda, o propósito é mostrar que, mesmo sem o governador como postulante à Presidência, os mineiros são importantes para o projeto do PSDB.
Nos meses em que ficará enclausurado em Minas Gerais, Aécio Neves deve trabalhar para fazer do vice Antonio Anastasia seu sucessor no governo. Só voltará a se mobilizar nacionalmente em prol da legenda quando o candidato for anunciado formalmente, o que deve ocorrer apenas em março. No Estado, Aécio Neves também deve pavimentar sua vaga ao Senado. Segundo um aliado do governador mineiro, ele sequer aceita discutir entre amigos a hipótese de ser vice numa chapa puro-sangue com José Serra. ''Este assunto só está em discussão na imprensa. Vice é um assunto para o segundo capítulo'', endossa Sérgio Guerra.
Viagens
Nas viagens que ainda serão programadas, os tucanos tentarão resolver os problemas regionais. No Ceará, segundo um parlamentar do partido, o senador Tasso Jereissati resiste em ser o candidato ao governo. O PSDB também está sem palanque no Rio de Janeiro, uma vez que Fernando Gabeira, do PV, trabalhará pela campanha de Marina Silva à sucessão de Lula. Sem um postulante natural, Gabeira era a alternativa tucana no Rio.
Sem o apoio do PV, os tucanos trabalham com duas alternativas, de acordo com o deputado Rodrigo de Castro. Uma seria lançar o ex-prefeito César Maia, do DEM, ao governo do Estado. Outra possibilidade seria ''construir um candidato'' a partir de um deputado federal de expressão. Os nomes em discussão são os da deputada Andreia Zito, e dos deputados Otávio Leite e Marcelo Itagiba, que recentemente saiu do PMDB e ingressou no PSDB.
Nos demais Estados, como no Paraná, onde o PSDB tem dois pré-candidatos - o senador Alvaro Dias e o prefeito de Curitiba, Beto Richa - Rodrigo de Castro disse esperar que a solução se dê por acordo entre os dois postulantes. ''O diálogo entre eles está cada vez maior e já foi avisado ao partido que os dois chegarão a um consenso. O partido está tranquilo quanto a isso''.
A primeira parada da caravana tucana mais perto de ter uma data definida é Teresina, Piauí. Lá, o partido realizará um seminário sobre infraestrutura. O encontro deveria ter ocorrido no último dia 11, mas foi desmarcado porque José Serra viajou a Copenhagen e Sérgio Guerra ficou doente, sem poder comandar o encontro. O seminário será remarcado para a segunda quinzena de janeiro.


