Brasília - Alvo de investigação no Superior Tribunal de Justiça (STJ), o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido), garantiu ontem maioria nas três comissões que vão investigar e decidir o seu destino nos próximos meses na Câmara Legislativa. A estratégia é evitar o processo de impeachment e o avanço nas apurações sobre o ''mensalão do DEM'', apelido do esquema de corrupção no seu governo deflagrado pela Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal.
O presidente e o relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a analisar as denúncias contra o governo foram secretários de Arruda na atual gestão. Alírio Neto (PPS) vai ser o presidente da comissão. Ele foi secretário de Justiça até o mês passado, quando o seu partido, o PPS, decidiu abandonar a base de apoio de Arruda. A relatoria da CPI ficou com Raimundo Ribeiro (PSDB), que também foi secretário de Justiça de Arruda.
De um lado, o governador montou sua tropa na CPI para tentar barrar o avanço das investigações e, de outro, escalou um time para controlar as comissões que vão analisar os pedidos de impeachment contra ele. O deputado Geraldo Naves, do DEM, ex-partido de Arruda, vai presidir a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), responsável por uma análise preliminar dos requerimentos que solicitam o afastamento do governador. Caberá à CCJ julgar também os processos disciplinares contra dez deputados distritais envolvidos no suposto esquema de corrupção no governo local. Coube a Naves indicar o relator dos pedidos de impeachment do governador. Mais uma vez, um aliado de Arruda foi escolhido: o deputado Batista das Cooperativas (PRP), que ainda será o vice-presidente da CPI. Para completar, o governador ainda garantiu maioria na comissão especial que deve avaliar os pedidos de impeachment após a votação na CCJ. Somente depois dessa tramitação, o caso vai a plenário.
Até mesmo os protestos foram, de alguma maneira, controlados. Ao retornar ontem ao cargo, o presidente da Câmara, Leonardo Prudente (sem partido) - conhecido pelo vídeo em que coloca nas meias dinheiro supostamente oriundo de propina -, decidiu fechar as dependências do prédio para o acesso do público. Ele alegou questões de ''segurança''. Cerca de mil pessoas, divididas entre um grupo pró e outro contra Arruda, protestavam em clima tenso. A decisão de Prudente esfriou os ânimos e dispersou os manifestantes. (Colaborou Leandro Colon)

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