Estratégia boicota Copel na AL
O governo do Estado sofreu mais uma derrota ontem na Assembléia Legislativa. Não houve quórum suficiente para aprovar o pedido de regime de urgência na votação do projeto que autoriza o governo a se desfazer de todas as suas ações na Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel). Desta vez, a derrota do governador Jaime Lerner (PFL) veio da base governista. O presidente da Assembléia, Aníbal Khury (PFL) liderou a debandada (ler ao lado). A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) se reúne hoje à tarde para tentar votar o projeto e espera submetê-lo ao plenário entre hoje e amanhã. O governo tem pressa na aprovação do projeto da Copel porque necessita dele para garantir o empréstimo de R$ 1,2 bilhão pleiteado no BNDES.
Nem mesmo a presença do secretário da Fazenda Giovani Gionédis ontem na Assembléia e o apelo do líder do governo deputado Valdir Rossoni (PTB) conseguiram acelerar a análise do pedido de urgência. Na verdade existe má vontade de os deputados votarem o requerimento de urgência por questões políticas, admitiu Rossoni.
Na semana passada, o governo também não havia conseguido emplacar a votação da urgência do projeto por uma manobra da oposição. Ontem, nos bastidores a informação era de que o foco de dissidência está na própria base governista. Um grupo estaria querendo trocar o secretário da Fazenda e outro não abriria mão de Gionédis no cargo. Estamos contentes com o Giovani e ele tem nosso apoio. Queremos manter a sustentação política ao governo para que ele se mantenha longe das pressões, declarou Rossoni, que admite estar desgastado com a tentativa de entendimento.
Ele apelou aos colegas para acelerar o processo de discussão da matéria. Não é só o governo, mas é o Paraná que precisa desse dinheiro, afirmou. O mesmo argumento é usado pelo presidente da CCJ, deputado Joel Coimbra (PTB). Dependemos desse recurso, reivindicou. Mas ele disse acreditar num entendimento. Política é conversar e conversar. Passar a tarde conversando e a noite, se for o caso, vamos conversar, dizia ele, no final da tarde.
O senador Roberto Requião (PMDB) afirmou ontem que o Paraná não pode fazer o empréstimo. Ele se baseia numa resolução do Conselho Monetário Nacional, que limita o uso do dinheiro, destinando-o para pagamento de certas dívidas, o que, segundo Requião não é o caso do Estado.
Casa Civil Os deputados da situação não discutem somente mudanças na secretaria da Fazenda. Eles querem também alterações na Casa Civil. Falta para o governo toda a sustentação política na base da liderança. Estamos sem chefe da Casa Civil, mas o governador nos prometeu que faz a troca até o dia 15 de dezembro, afirmou. Ele disse que não sabe quem substituirá Luiz Alberto Martins de Oliveira. Mas esperamos que seja alguém com competência política para ajudar na articulação. Alguém que conheça o Legislativo. Rossoni disse que Luiz Alberto, irmão de Cândido Martins de Oliveira, está interinamente no cargo e atualmente tirou férias.Arquivo FolhaEntendimentoRossoni: cerco à estatal para manter Gionédis e continuar dando sustentação política ao governo, para evitar pressões. Mas líder admite que está havendo má vontade para os deputados votarem questões políticasPatrícia Zanin





