O prefeito de Londrina, Antônio Belinati, decidiu romper o silêncio e, depois de conversar por telefone com a reportagem da Folha, no meio da tarde, atendeu pessoalmente, no apartamento da família, no bairro Bigorrilho, em Curitiba, vários jornalistas de emissoras de televisão, rádio e jornais. Demonstrando bastante tranqulidade, Belinati conversou por pouco mais de meia hora com os jornalistas, a partir das 18 horas.
Usando seu tradicional discurso populista, o prefeito criticou a atuação do Ministério Público (MP) e voltou a repetir, sem citar nomes, que ‘‘muita gente graúda’’ não foi atingida pela decisão do juiz Celso Saito, da 6ª Vara Cível de Londrina.
‘‘Estranho a morosidade do Ministério Público em investigar estas denúncias (de desvio de dinheiro dos cofres da prefeitura) e, depois de quinze meses, não apresentar uma ação definitiva mas sim uma ação cautelar. Além disso, várias pessoas que foram citadas em depoimentos dos acusadores não foram atingidas pela decisão da Justiça’’, argumentou.
Belinati disse que não se sente perseguido pelos promotores Solange Vicentin, Cláudio Esteves e Bruno Galatti – que ajuizaram as ações contra a família do prefeito e outras mais de 50 pessoas – mas os acusou de estarem ‘‘fazendo uma encenação circense’’.
‘‘Discordo desta autopromoção. Eles querem ganhar os holofotes da imprensa soltando ações a conta-gotas, porque o dia 30 de junho é o último dia de prazo para os partidos escolherem seus candidatos a prefeito.’’, criticou.
Na opinião do prefeito, seus adversários estão promovendo ‘‘um linchamento político’’ da família Belinati. ‘‘Teve uma voz política de Londrina que deu uma entrevista na Folha de Londrina dizendo que só tem um meio de me impedir de ser tetraprefeito: cassando meus direitos políticos. Mas eleição não se ganha dessa maneira’’. Belinati reafirmou que não é candidato à reeleição.
Ele preferiu não comentar a afirmação do advogado da família, ClSmerson ClSve, de que o não-recebimento da intimação dando conta do afastamento do cargo por 120 dias poderia dificultar sua defesa. ‘‘Não conversei com ele hoje (ontem)’’, respondeu laconicamente. O prefeito afastado de Londrina assegurou que não vai dificultar ou atrapalhar o recebimento da intimação.
Belinati contou que teve uma conversa com o jurista Ivens Gandra Martins onde ‘‘relatou tudo’’ o que estava ocorrendo em Londrina. ‘‘Ele (Gandra) me garantiu que eu só poderia perder legalmente meu cargo caso fossem comprovadas irregularidades na AMA, porque é uma autarquia. Mas não por irregularidades comprovadas na Comurb que é uma S/A’’, relatou.
Bem-humorado, Belinati disse que ‘‘deveria ter quatro mandados de prefeito’’ para cumprir as ações que determinaram o afastamento dele do cargo. Ele afirmou que não teme a Comissão Processante (CP) da Câmara de Vereadores de Londrina, para investigar irregularidades na venda de ações da Sercontel para a Copel e o pedido de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), na Assembléia Legislativa, com a mesma intenção.
‘‘Quem errou vai ter que responder pelas irregularidades. Aliás, como prefeito, fiz o que nem o presidente Fernando Henrique Cardoso ou outros homens públicos fizeram. Houve denúncias de irregularidades numa autarquia ou numa empresa de sociedade anônima, eu abri sindicância, mandei para a Justiça, pedindo o bloqueio de bens dos envolvidos e ressarcimento aos cofres públicos. Ou seja, tomamos as providências que deveríamos tomar’’, defendeu-se.
O prefeito afastado disse que hoje vai para São Paulo. Lá, contou, vai se reunir com um empresário do ramo de confecções que, segundo Belinati, está interessado em instalar uma unidade industrial em Londrina.
Depois de atender os jornalistas em sua casa, Belinati deu uma entrevista ao vivo numa emissora de televisão. Na TV o prefeito afastado repetiu praticamente as mesmas palavras sem, no entanto, esclarecer qual o destino do dinheiro público que o MP o acusa de ter usado em benefício próprio e nas campanhas eleitorais da mulher, a vice-governadora Emilia Belinati (PTB), e do filho, o deputado Antônio Carlos Belinati (PSB).
Ontem à tarde a vice-governadora Emília Belinati foi entrevistada rapidamente por uma emissora de TV, na saída do Palácio Iguaçu. A entrevista não foi ao ar, mas a assessoria da vice-governadora disse que ela afirmou que não há qualquer impedimento em assumir o governo interinamente, caso Jaime Lerner decida por viajar. O governador pode viajar para o exterior na próxima semana. Ela disse que toda a família vive um momento doloroso.

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