Estrangeiro responde a processo por lavagem de dinheiro no Brasil
PUBLICAÇÃO
domingo, 28 de janeiro de 2001
De Foz do Iguaçu 
Apesar do empresário paraguaio Bobadilla, de Ciudad del Este, negar suposta origem ilícita do dinheiro na conta do antigo Bamerindus (HSBC), o Departamento de Repressão ao Crime Organizado e Inquéritos Especiais (Decoie) da Polícia Federal (PF) ofereceu o inquérito ao Ministério Público Federal, que abriu um processo por crimes contra o sistema financeiro. O delegado Protógones de Queiroz não comenta inquéritos de lavagem de dinheiro sob o argumento que eles estão sob segredo de Justiça.
Em entrevista à Folha, Bobadilla lembrou que durante o depoimento prestado a Polícia Federal em Foz, de mais de três horas, sofreu uma pressão psicológica pois não sabia o que estava acontecendo. Pediram para eu reconhecer minha assinatura em um papel, mas ela não era minha. Depois assinei cinco vezes em outro papel, aponta o paraguaio, frisando que o confronto das assinaturas deu negativo.
De acordo com o procurador da República Mark Torronteguy Weber, as pessoas investigadas por lavagem de dinheiro na fronteira Brasil-Paraguai foram enquadradas no artigo 6º da Lei 7.492.
Weber cita como crime induzir ou manter em erro sócio, investidor ou repartição pública competente, relativamente à operação ou situação financeira, sonegando-lhe informação ou prestando-a falsamente.
A pena para casos do gênero é reclusão de dois a seis anos, mais multa. O processo ainda está em fase de investigação da PF e MPF, que deve oferecer denúncia à Justiça Federal (A.P.)


