Apesar do empresário paraguaio Bobadilla, de Ciudad del Este, negar suposta origem ilícita do dinheiro na conta do antigo Bamerindus (HSBC), o Departamento de Repressão ao Crime Organizado e Inquéritos Especiais (Decoie) da Polícia Federal (PF) ofereceu o inquérito ao Ministério Público Federal, que abriu um processo por crimes contra o sistema financeiro. O delegado Protógones de Queiroz não comenta inquéritos de lavagem de dinheiro sob o argumento que eles estão sob segredo de Justiça.
Em entrevista à Folha, Bobadilla lembrou que durante o depoimento prestado a Polícia Federal em Foz, ‘‘de mais de três horas’’, sofreu uma pressão psicológica pois não sabia o ‘‘que estava acontecendo’’. ‘‘Pediram para eu reconhecer minha assinatura em um papel, mas ela não era minha. Depois assinei cinco vezes em outro papel’’, aponta o paraguaio, frisando que o confronto das assinaturas deu negativo.
De acordo com o procurador da República Mark Torronteguy Weber, as pessoas investigadas por lavagem de dinheiro na fronteira Brasil-Paraguai foram enquadradas no artigo 6º da Lei 7.492.
Weber cita como crime ‘‘induzir ou manter em erro’’ sócio, investidor ou repartição pública competente, relativamente à operação ou situação financeira, ‘‘sonegando-lhe informação ou prestando-a falsamente’’.
A pena para casos do gênero é reclusão de dois a seis anos, mais multa. O processo ainda está em fase de investigação da PF e MPF, que deve oferecer denúncia à Justiça Federal (A.P.)

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