'Estou tranquilo', diz Beto sobre inclusão em lista de Janot
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quinta-feira, 16 de março de 2017
Mariana Franco Ramos<br>Reportagem Local 

Curitiba - O governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), voltou a dizer nessa quinta-feira (16) desconhecer o contexto que levou à inclusão de seu nome na segunda "lista de Janot" como ficou conhecido o documento contendo os 83 pedidos de abertura de inquérito registrados pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, no Supremo Tribunal Federal (STF). "Primeiro, estou contratando um advogado para que possa ter acesso a esse processo e o conhecimento nos fatos dos quais fui citado", afirmou, em entrevista coletiva no Palácio Iguaçu.
Além do tucano, mais quatro governadores foram mencionados nos acordos de colaboração premiada firmados com 77 executivos e ex-executivos das empresas Odebrecht e Braskem, no âmbito da Operação Lava Jato, que investiga desvios na Petrobras. São eles: Renan Filho (PMDB), de Alagoas; Fernando Pimentel (PT), de Minas Gerais; Tião Viana (PT), do Acre; e Luiz Fernando Pezão (PMDB), do Rio de Janeiro. Mesmo sob sigilo, as informações foram divulgadas na noite de anteontem pelo Jornal Nacional, da TV Globo. O jornal Valor Econômico já havia divulgado na última terça-feira (14) que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), também está na lista.
"Estou absolutamente tranquilo, confio plenamente na Justiça e sou o maior interessado de que isso seja profundamente, detalhadamente, o mais rápido possível investigado. Acredito que assim como vários outros citados já tiveram seus processos arquivados, o meu processo terá o mesmo destino", prosseguiu Beto. Ele negou ter ainda recebido dinheiro da Odebrecht ou de empresas ligadas à empreiteira. "Nós temos um comitê financeiro em todas as campanhas legalmente constituído. Pessoas autorizadas por mim, parte desse comitê, são as únicas que podem fazer captação de recursos. Tudo está dentro da lei, todas as doações têm origem lícitas (
) Sempre fui muito cuidadoso com isso".
O governador comentou que suas prestações mereceram até mesmo reconhecimento do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), por serem detalhadas. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) é o responsável por julgar processos contra chefes do Executivo, que possuem foro privilegiado. Antes, contudo, os casos devem ser liberados pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF. Os detalhes sobre as acusações envolvendo Beto Richa não foram divulgados.
REPERCUSSÃO
Líder da situação na Assembleia Legislativa (AL), Luiz Cláudio Romanelli (PSB) disse que não acredita em irregularidades envolvendo o tucano. "A declaração dele já foi bem rigorosa nesse sentido, de que se colocou à disposição. Vai analisar o que foi dito em relação à campanha dele e esclarecer, para identificar a questão".
Já para o líder da oposição, Tadeu Veneri (PT), o discurso do governador está cada vez mais contraditório. "Se o nome do Richa fosse divulgado antes do processo eleitoral do ano passado, a leitura da população seria diferenciada, como foi com o PT (
). Ele também está esquecendo que acusou a presidenta Dilma de corrupção, sendo que recebia dinheiro das mesmas fontes".


