Dos 18 vereadores da Câmara de Londrina, apenas Gláudio Lima e Maria Ângela Santini (PT, ambos), Flávio Vedoato (PSC) e Jamil Janene (PMDB), por estarem fora da cidade, não compareceram à reunião de quase uma hora e meia, ontem, na sala da Presidência. O encontro ocorreu a portas fechadas e teve registrada também a ausência do vereador Henrique Barros (PMDB), que não foi localizado pela Direção da Casa.
Dos cinco denunciados pelo Ministério Público (MP) por crimes de concussão e formação de quadrilha, três - Renato Araújo (PP), Osvaldo Bergamin (PMDB) e Orlando Bonilha (PR) - se manifestaram contra a acusação feita por Barros, em depoimento à promotoria, em discursos afinados. Nenhum deles, entretanto, garantiu que tomaria algum tipo de medida mais drástica contra o peemedebista em relação às supostas inverdades das quais teriam sido vítimas. Ao MP, ele dissera que teriam ocorrido reuniões, na Câmara, nas quais o dinheiro oriundo de propina de empresários seria dividido entre o grupo.
''Fui envolvido nesse escândalo que magoa muito a minha pessoa, minha história, que é um tal de envelope, em uma reunião da qual nunca participei, nem jamais vi'', disse Bergamin. Por que Barros o envolveu? ''Não sei, talvez pela premiação (da delação premiada). Mas sou inocente e vou provar; não fiz nada, nada, nada, não tenho medo de nada.''
Araújo e Bonilha, por outro lado, alegaram inocência mas atribuíram a denúncia a suposta perseguição e ''linchamento político'' do MP contra a Câmara. Para ambos, Barros teria sido pressionado pelos promotores a citar o nome deles. ''Quero acreditar que ele foi coagido física, moral e psicologicamente a citar nomes de vereadores proposto pelo próprio MP - que vem ameaçando a Câmara há muito tempo'', declarou Araújo. ''Os promotores me acusaram sem provas; vou esperar que eles as apresentem. Estou sofrendo um linchamento político por parte deles'', afirmou Bonilha.
O promotor Leonir Batisti negou que Barros tenha sido coagido a citar nomes em troca de benefícios em futura punição. ''Negamos isso peremptoriamente: no dia do depoimento, não apenas Barros elencou esses nomes espontaneamente, como também teve o cuidado de não citar adversários polílitos a fim de prejudicá-los, pois isso não seria aceito'', concluiu Batisti. (J.G.)

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