O apresentador de TV Márcio Mello, primeiro a denunciar o suposto esquema de corrupção na UEL, disse ontem que a renúncia e as novas acusações feitas pelo ex-vice-reitor Marcio Almeida comprovam os fatos relatados por ele ao Ministério Público (MP) de Londrina e Maringá. ‘‘Além disso, fiquei mais tranquilo. Porque até então eu era o único denunciante e agora não sou mais’’, disse.
Mello acrescentou ontem que o valor exato do cheque que entregou ao ex-chefe de gabinete da reitoria Itaicy Mendonça, no início de 1997, foi de R$ 7.640,00. O valor, segundo ele disse ao MP, refere-se ao estorno de parte de uma verba de publicidade do vestibular da UEL veiculada na Rádio Nova Ingá, de Maringá, cujo proprietário é o ex-deputado federal Benedito Pinga-Fogo de Oliveira.
Na época, Mello era subgerente da rádio e permitia – ainda segundo disse ao MP – que Pinga-Fogo utilizasse sua conta bancária particular para negócios da emissora. Ele contou aos promotores que, no início de 97, o cheque que repessou para o estorno da publicidade da UEL voltou duas vezes por falta de fundos – Pinga-Fogo não teria depositado o valor em sua conta, como havia combinado. Após isso, o próprio Itaicy foi a Maringá receber o dinheiro em espécie.
Mello destacou que o cheque – número 551261, conta 642290, do Banco do Brasil (agência 03522) – foi devolvido pela segunda vez no dia 21 de março de 1997. Ele disse ter obtido as informações com a própria agência bancária. ‘‘Só se sabe que esse cheque foi depositado numa conta do Banestado’’, antecipou. Agora, ele aguarda cópia do documento para saber exatamente na conta de quem o cheque foi depositado.
Além do MP e da própria UEL, um inquérito policial investiga o furto de três computadores e cinco impressoras da reitoria da universidade ocorrido dias após as denúncias de Mello. Um dos equipamentos que sumiu era de uso pessoal do chefe de gabinete Itaicy Mendonça.
Na época, o reitor Jackson Testa disse que a invasão ao gabinete da reitoria seria uma ‘‘armação política’’. Ele disse ainda não acreditar que o sumiço dos computadores foi provocado pelo próprio chefe de gabinete, para apagar eventuais provas de superfaturamento de publicidade. O delegado do 3º Distrito Policial Marcelo Sakuma, responsável pelo inquérito, já tem um suspeito do furto mas até ontem ele não havia sido localizado. (L.H.)

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