Repetindo o início da campanha presidencial em 94, o presidente Fernando Henrique Cardoso voltou a falar da cor de sua pele como resultado étnico de uma mistura de raças. ‘‘Estou bronzeado’’, disse FHC, esfregando o dedo sobre a mão esquerda, mostrando o tom dourado de sua pele, obtido em nove dias de praia na restinga da Marambaia, no Rio. ‘‘Graças à mistura de raças que há no Brasil.’
O comentário foi feito anteontem à noite em uma mesa de políticos, entre eles o também bronzeado senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). Quando começou sua campanha à Presidência, há quatro anos, FHC foi alvo de críticas e polêmica porque afirmou que era ‘‘mulatinho’’ e tinha ‘‘o pé na cozinha’’. Suas declarações foram interpretadas como preconceituosas pelo movimento negro. Na época, FHC disse que seu comentário foi mal compreendido porque sua intenção era ‘‘brincar ingenuamente, com alegria’’, e que os jornais publicavam sem esse espírito.
Nas declarações de anteontem, FHC destacou o lado histórico dessa influência. Falou sobre a importância da mistura de raças existente no Brasil, na qual os imigrantes espanhóis e italianos contribuíram ‘‘expressivamente’’, juntamente com os ameríndios (índios americanos). A ‘‘aula’’ foi assistida, entre outros, pelo ministro Paulo Renato Souza das indústrias ficou nas mãos dos imigrantes.
O presidente Fernando Henrique Cardoso fez anteontem à noite mais um ensaio para sua campanha à reeleição. Na casa do engenheiro Renato Malcoti, no Lagoa Sul de Brasília, para uma festa-surpresa pelo aniversário do senador José Roberto Arruda (PSDB-DF), líder do governo do Senado, Fernando Henrique posou para fotos, abraçou crianças, cumprimentou admiradores e discutiu política com aliados, como o presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA).
‘‘Acho que essa festa foi boa para ele ir treinando para a campanha’’, comentou bem humorado o senador Élcio Alvares (PFL-ES), líder do governo no Senado. ‘‘A casa estava cheia de povão, foi uma beleza’’, disse Arruda, candidato ao governo do Distrito Federal.
Fernando Henrique chegou quando alguns convidados já tinham ido embora. O ministro do Planejamento, Antônio Kandir, ficou cerca de 20 minutos e foi embora ao lado do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Pedro Parente. O secretário-geral da Presidência da República, Eduardo Jorge Caldas, também passou rapidamente pela festa. A maioria dos convidados era formada por líderes comunitários de Brasília e aliados políticos de Arruda, que se espremiam pelas salas e jardins da casa.
Antônio Carlos Magalhães chegou por volta das 22h com uma gravata de presente para o aniversariante. Seguiu para o jardim, onde cumprimentou o ex-deputado Pimenta da Veiga (PSDB), e ficou conversando com os jornalistas. Quando Fernando Henrique apareceu, às 23h15, foi improvisada rapidamente uma mesa para os cardeais políticos presentes. O presidente sentou ao lado de ACM e de Élcio Alvares.

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