Estou bronzeado. E FHC elogia a cor de sua pele
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quarta-feira, 07 de janeiro de 1998
Das agências 
Repetindo o início da campanha presidencial em 94, o presidente Fernando Henrique Cardoso voltou a falar da cor de sua pele como resultado étnico de uma mistura de raças. Estou bronzeado, disse FHC, esfregando o dedo sobre a mão esquerda, mostrando o tom dourado de sua pele, obtido em nove dias de praia na restinga da Marambaia, no Rio. Graças à mistura de raças que há no Brasil.
O comentário foi feito anteontem à noite em uma mesa de políticos, entre eles o também bronzeado senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). Quando começou sua campanha à Presidência, há quatro anos, FHC foi alvo de críticas e polêmica porque afirmou que era mulatinho e tinha o pé na cozinha. Suas declarações foram interpretadas como preconceituosas pelo movimento negro. Na época, FHC disse que seu comentário foi mal compreendido porque sua intenção era brincar ingenuamente, com alegria, e que os jornais publicavam sem esse espírito.
Nas declarações de anteontem, FHC destacou o lado histórico dessa influência. Falou sobre a importância da mistura de raças existente no Brasil, na qual os imigrantes espanhóis e italianos contribuíram expressivamente, juntamente com os ameríndios (índios americanos). A aula foi assistida, entre outros, pelo ministro Paulo Renato Souza das indústrias ficou nas mãos dos imigrantes.
O presidente Fernando Henrique Cardoso fez anteontem à noite mais um ensaio para sua campanha à reeleição. Na casa do engenheiro Renato Malcoti, no Lagoa Sul de Brasília, para uma festa-surpresa pelo aniversário do senador José Roberto Arruda (PSDB-DF), líder do governo do Senado, Fernando Henrique posou para fotos, abraçou crianças, cumprimentou admiradores e discutiu política com aliados, como o presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA).
Acho que essa festa foi boa para ele ir treinando para a campanha, comentou bem humorado o senador Élcio Alvares (PFL-ES), líder do governo no Senado. A casa estava cheia de povão, foi uma beleza, disse Arruda, candidato ao governo do Distrito Federal.
Fernando Henrique chegou quando alguns convidados já tinham ido embora. O ministro do Planejamento, Antônio Kandir, ficou cerca de 20 minutos e foi embora ao lado do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Pedro Parente. O secretário-geral da Presidência da República, Eduardo Jorge Caldas, também passou rapidamente pela festa. A maioria dos convidados era formada por líderes comunitários de Brasília e aliados políticos de Arruda, que se espremiam pelas salas e jardins da casa.
Antônio Carlos Magalhães chegou por volta das 22h com uma gravata de presente para o aniversariante. Seguiu para o jardim, onde cumprimentou o ex-deputado Pimenta da Veiga (PSDB), e ficou conversando com os jornalistas. Quando Fernando Henrique apareceu, às 23h15, foi improvisada rapidamente uma mesa para os cardeais políticos presentes. O presidente sentou ao lado de ACM e de Élcio Alvares.


