Estou assustado com a república de Curitiba
Curitiba e São Paulo - No dia em que o ex-presidente Lula foi conduzido coercitivamente pela Operação Aletheia para depor em uma sala no Aeroporto de Congonhas, a presidente Dilma Rousseff telefonou para seu antecessor - Lula já estava na sede do PT, onde declarou à imprensa que a jararaca está viva. Lula estava no grampo, com autorização do juiz federal Sérgio Moro. Dilma não é alvo da investigação, mas caiu na interceptação ao ligar do Palácio do Planalto para seu antecessor.
Na conversa, Lula atacou os investigadores, o juiz federal Sérgio Moro, os tribunais superiores e a imprensa Ele comenta, indignado, o fato de ter sido ouvido por quase três horas pela Polícia Federal sobre as atividades do Instituto Lula e de sua empresa, a LILS Palestras e Eventos. "Se os canalhas tivessem mandado um ofício teria ido prestar depoimento Eu já fui três vezes a Brasília prestar depoimento. Eu acho que o Moro quis fazer um espetáculo antes daquele negócio que tá pra decidir, que tá no Supremo pra decidir, mas ele precisava fazer o espetáculo de pirotecnia."
Dilma pergunta a Lula se ele não achou estranho a publicação da Revista IstoÉ, na quinta-feira (3), um dia antes da Aletheia, antecipando a delação do senador Delcídio Amaral, ex-líder do governo. "O sr não achou estranho?", perguntou a presidente. "É um espetáculo de pirotecnia sem precedentes, querida. É o seguinte: eles estão convencidos de que com a imprensa chefiando o processo investigatório eles conseguem refundar a República. Nós temos uma Suprema Corte totalmente acovardada, um Superior Tribunal de Justiça totalmente acovardado, um Parlamento totalmente acovardado, somente nos últimos tempos o PT e o PCdoB começaram a acordar, um presidente da Câmara fudido, um presidente do Senado fudido, não sei quantos parlamentares ameaçados e fica todo mundo no compasso achando que vai acontecer um milagre."
Lula ataca a força-tarefa da Lava Jato. "Eu estou assustado é com a república de Curitiba, porque a partir de um juiz de primeira instância tudo pode acontecer neste País, tudo pode acontecer." Depois, ele revela a Dilma sua estratégia. "Eu tô dizendo aqui pro PT que não tem mais trégua, que não tem que ficar acreditando na luta jurídica, ou seja, nós temos que aproveitar a nossa militância e ir pra rua. Eu vou antecipar minha campanha pra 2018, vou acertar de viajar esse país a partir da semana que vem e quero ver o que vai acontecer. Eu não vou ficar em casa parado." (Folhapress)





