O Partido dos Trabalhadores foi o maior beneficiado nessas eleições. Em todo o País, os candidatos do PT optaram por uma linha menos radical, mais ‘light’, priorizando a divulgação de propostas para administrar as cidades, em vez de um discurso crítico e agressivo contra a política adotada pelo governo federal e seus aliados nos estados.
O PT chegou às eleições de ontem com 115 prefeitos e mais de 100 vice-prefeitos no País, incluindo as capitais Porto Alegre e Rio Branco. No Paraná, nas eleições muncipais de 1996, o partido elegeu prefeitos em seis municípios: Douradina (hoje o prefeito está no PSDB), Mandaguaçu, Medianeira, Rebouças, Serranópolis do Iguaçu e União da Vitória. Também foram eleitos pelo partido cerca de 110 vereadores.
Além de eleger o prefeito de Ponta Grossa, Péricles de Holleben Mello, e colocar seus dois candidatos no segundo turno em Curitiba e Londrina – respectivamente Angelo Vanhoni e Nedson Micheleti –, a direção estadual do partido tinha mais motivos para comemorar. Até as 21 horas três dos atuais prefeitos prefeitos do PT conseguiram reeleger-se; Luiz Zak, em Rebouças, Nilvo Perlin, em Serranópolis do Iguaçu; e Luiz Yoshio Suzuke, em Medianeira. Os prefeitos do PT em União da Vitória, Pedro Ivo Ilkiv, e de Mandaguaçu, Romulo Barreiros, foram derrotados.
Com a apuração em Curitiba superando os 95% dos votos (pouco depois das 21 horas), o PT havia conseguido eleger dois vereadores a mais do que a atual bancada, que tinha três. Até o fim da apuração, o partido tinha a esperança de conseguir mais uma vaga na Câmara de Curitiba.
O desgaste do PMDB junto ao eleitorado é outro fator apontado por analistas políticos e lideranças históricas do PT, para fortalecer o partido como uma opção real de administração. ‘‘O grupo ligado ao governador Jaime Lerner sabia como vencer o PMDB, mas não está encontrando um ‘antídoto’ contra o discurso moderado que o PT adotou para essa eleição’’, avaliava ontem Ricardo Oliveira, professor de sociologia política da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Na opinião de Oliveira, o PT pode obter bons resultados nessa eleição graças à ‘‘marca’’ do ‘‘discurso coerente’’ de seus candidatos. ‘‘A tendência é o PT se tornar um partido social democrata. Essa é uma trajetória clássica dos partidos de esquerda, que, na Europa, vem desde o fim da Segunda Guerra’’, comparou.
O sociólogo considerava uma ‘‘derrota séria’’ para o grupo político ligado ao governador Jaime Lerner, a possibilidade de segundo turno em Curitiba, bem como a vitória do PT em Ponta Grossa e em outras cidades do interior.
O analista político Bruno Lopes, que já trabalhou no instituto de pesquisas Ibope e acompanha a política paranaense há 16 anos, concorda. ‘‘O PMDB ainda tem muita simpatia do eleitor. Não se pode jogar fora a sua força’’, lembrou. Lopes criticou sutilmente a opção do PMDB em continuar usando a agressividade em seu discurso de campanha. ‘‘O eleitor é inteligente e sabe diferenciar as propostas de um projeto social daquelas feitas em cima de nomes ou pessoas.’’
Um dos fundadores do PT no Paraná, o professor universitário Lafayete Neves alerta o partido para ‘‘não se desfigurar’’. Ele adverte: ‘‘Se não mantivermos a nossa organização dos núcleos de base o PT perderá sua identidade.’’ Lafayete avalia que a adoção da linha ‘light’ na campanha ajudou o partido, mas que isso não teria funcionado se não tivesse acontecido a ‘‘persistência da militância’’. ‘‘O que fica para a população é a coerência do nosso partido’’, salientou.

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