Estilo suave consolida posição petista
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domingo, 01 de outubro de 2000
Rubens Burigo Neto De Curitiba 
O Partido dos Trabalhadores foi o maior beneficiado nessas eleições. Em todo o País, os candidatos do PT optaram por uma linha menos radical, mais light, priorizando a divulgação de propostas para administrar as cidades, em vez de um discurso crítico e agressivo contra a política adotada pelo governo federal e seus aliados nos estados.
O PT chegou às eleições de ontem com 115 prefeitos e mais de 100 vice-prefeitos no País, incluindo as capitais Porto Alegre e Rio Branco. No Paraná, nas eleições muncipais de 1996, o partido elegeu prefeitos em seis municípios: Douradina (hoje o prefeito está no PSDB), Mandaguaçu, Medianeira, Rebouças, Serranópolis do Iguaçu e União da Vitória. Também foram eleitos pelo partido cerca de 110 vereadores.
Além de eleger o prefeito de Ponta Grossa, Péricles de Holleben Mello, e colocar seus dois candidatos no segundo turno em Curitiba e Londrina respectivamente Angelo Vanhoni e Nedson Micheleti , a direção estadual do partido tinha mais motivos para comemorar. Até as 21 horas três dos atuais prefeitos prefeitos do PT conseguiram reeleger-se; Luiz Zak, em Rebouças, Nilvo Perlin, em Serranópolis do Iguaçu; e Luiz Yoshio Suzuke, em Medianeira. Os prefeitos do PT em União da Vitória, Pedro Ivo Ilkiv, e de Mandaguaçu, Romulo Barreiros, foram derrotados.
Com a apuração em Curitiba superando os 95% dos votos (pouco depois das 21 horas), o PT havia conseguido eleger dois vereadores a mais do que a atual bancada, que tinha três. Até o fim da apuração, o partido tinha a esperança de conseguir mais uma vaga na Câmara de Curitiba.
O desgaste do PMDB junto ao eleitorado é outro fator apontado por analistas políticos e lideranças históricas do PT, para fortalecer o partido como uma opção real de administração. O grupo ligado ao governador Jaime Lerner sabia como vencer o PMDB, mas não está encontrando um antídoto contra o discurso moderado que o PT adotou para essa eleição, avaliava ontem Ricardo Oliveira, professor de sociologia política da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Na opinião de Oliveira, o PT pode obter bons resultados nessa eleição graças à marca do discurso coerente de seus candidatos. A tendência é o PT se tornar um partido social democrata. Essa é uma trajetória clássica dos partidos de esquerda, que, na Europa, vem desde o fim da Segunda Guerra, comparou.
O sociólogo considerava uma derrota séria para o grupo político ligado ao governador Jaime Lerner, a possibilidade de segundo turno em Curitiba, bem como a vitória do PT em Ponta Grossa e em outras cidades do interior.
O analista político Bruno Lopes, que já trabalhou no instituto de pesquisas Ibope e acompanha a política paranaense há 16 anos, concorda. O PMDB ainda tem muita simpatia do eleitor. Não se pode jogar fora a sua força, lembrou. Lopes criticou sutilmente a opção do PMDB em continuar usando a agressividade em seu discurso de campanha. O eleitor é inteligente e sabe diferenciar as propostas de um projeto social daquelas feitas em cima de nomes ou pessoas.
Um dos fundadores do PT no Paraná, o professor universitário Lafayete Neves alerta o partido para não se desfigurar. Ele adverte: Se não mantivermos a nossa organização dos núcleos de base o PT perderá sua identidade. Lafayete avalia que a adoção da linha light na campanha ajudou o partido, mas que isso não teria funcionado se não tivesse acontecido a persistência da militância. O que fica para a população é a coerência do nosso partido, salientou.


