De todos os 27 governadores dos Estados e do Distrito Federal, o mais folclórico, sem dúvida, é Francisco Moraes Sousa, o Mão Santa. Nas suas duas campanhas eleitorais distribuiu santinhos, como sua própria foto, vinculando a religião à política. E divulgava que seu apelido vem do fato de ser médico e de ter mãos salvadoras. Tanto que ficaram conhecidas por ''mãos santas''.

Durante a campanha eleitoral que reelegeu Mão Santa, em 1998, foram documentadas as mais estranhas formas de se agradar o eleitor. Entre elas, cinco meses de água de graça para os piauienses tudo bancado pela empresa de saneamento do Estado, a Cepisa e sorteio de eletro-eletrônicos apreendidos pela Polícia Federal. Era uma das formas de atrair público para os comícios realizados pelo candidato.

Não é à toa que a cassação do governador foi comemorada durante toda a manhã de ontem por centenas de servidores públicos estaduais, que soltaram fogos de artifício, dançaram forró e beberam champanhe no Centro Administrativo, onde funcionam sete secretarias de Estado, entre elas as da Educação, Fazenda e Saúde. Os servidores transformaram o pátio do prédio da Secretaria da Fazenda em uma pista de dança, enquanto deputados estaduais do PFL faziam discursos inflamados denunciando corrupção no governo e pedindo que os funcionários impedissem que fossem desviados recursos públicos.

Mas se teve festa, também houve raiva e indignação. Centenas de ocupantes de cargos de confiança no governo estadual tiveram os salários retidos no Banco do Estado do Piauí. Ninguém no banco ou na Secretaria da Fazenda soube explicar a razão do bloqueio de salários.

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