Estilo de Brizola acabou gerando atritos no Paraná
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terça-feira, 22 de junho de 2004
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Homem forte do PDT desde 1981, o ex-governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro Leonel Brizola também teve influência significativa na política do Paraná. Foi sob as bençãos de Brizola que Jaime Lerner (hoje no PSB) se elegeu prefeito de Curitiba pela primeira vez em 1984, lançando os fundamentos do grupo político que se revezou à frente da prefeitura da cidade desde 1992 e governou o Estado por oito anos através do próprio Jaime Lerner (1995-2002).
A mão forte com que Brizola conduzia o PDT porém, acabou fazendo com que vários pedetistas nativos acabassem deixando a sigla. Sem tolerar desvios das diretrizes estipuladas a nível nacional, o caudilho, como era chamado, criou vários atritos com lideranças locais. Foi assim que políticos como Lerner, o prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL); e o deputado estadual Rafael Greca, por exemplo, pediram o afastamento do PDT ou foram intimados a deixar o partido.
Ao comentar a morte de Brizola, Lerner destacou que suas desavenças se limitavam ao campo político. ''Tive uma convivência próxima a Brizola durante 14 anos e aprendi muito com ele sobre política e sobre o nosso País. Mesmo entre os maiores adversários de Brizola, não há quem não respeite seu histórico de defesa da democracia e de ética na política'', comentou. Cassio também frisou a postura firme com que Brizola defendia suas idéias.
Uma das últimas interferências de Brizola na política paranaense se deu após o presidente de honra do PDT determinar o afastamento de todos os filiados que detivessem cargos em comissão no governo federal. A inflexibilidade de Brizola acabou causando a desfiliação do diretor da Itaipu Binacional, Nelton Friedrich, em fevereiro passado, e do deputado federal André Zacharow, que filiou-se ao PP.
Apesar dos contrangimentos, o presidente do PDT no Paraná e senador Osmar Dias defendeu a posição de Brizola na questão. ''Essa era a marca da coerência do Brizola. Era impossível ficar no governo e ao mesmo tempo fazer oposição. Esse tipo de ideário que ele criou vai permanecer no PDT. É claro que o partido será outro sem ele, possivelmente mais aberto à novas lideranças e novas posições. O partido seguirá em frente, mas sempre respeitando os princípios que ele defendeu'', comentou Osmar.


