Estêvão quer esclarecer dúvidas
Agência Folha
De Brasília
O senador Luiz Estêvão (PMDB-DF) disse ter gostado do anúncio feito pelo PMDB de que irá votar a favor de um possível pedido de licença do Supremo Tribunal Federal para processá-lo criminalmente, com base nas recomendações da CPI do Judiciário.
Estêvão afirmou que viajará depois de amanhã para os Estados Unidos com o pai, Lino Martins Pinto, que tem se submetido a tratamento de saúde. Para mim, é fundamental que o PMDB permita a investigação. Para o homem público, a dúvida é um grande malefício. A pior coisa para um político é sofrer acusação e dela não poder se defender. Só o andamento do processo pode atestar a inocência, disse. Por outro lado, Estêvão afirmou ainda não estar reunindo documentos e informações para preparar sua defesa no STF, porque, até agora, segundo ele, não há acusações, mas apenas insinuações contra ele.
O relatório final da CPI do Judiciário recomendou que o Ministério Público Federal investigue Luiz Estêvão por atos lesivos ao patrimônio e por
enriquecimento ilícito, devido ao volume de recursos depositados pelo Grupo Monteiro de Barros em contas do Grupo OK, de sua propriedade. A CPI recomendou, ainda, que o senador seja enquadrado por falsidade ideológica, porque tem dúvidas quanto à veracidade de documentos e informações apresentados por ele à comissão.
O Grupo Monteiro de Barros, do empresário Fábio Monteiro de Barros Filho, foi o vencedor da licitação para construção do fórum trabalhista de São Paulo e é apontado pela CPI como um dos responsáveis pelo desvio de recursos destinados à obra, que ainda não foi concluída. Outro envolvido é o juiz aposentado Nicolau dos Santos Neto, ex-presidente do TRT de São
Paulo.
Estêvão negou que seja verdadeira a operação entre empresas do Grupo OK e do Grupo Monteiro de Barros, incluída no relatório final da CPI, que reforçam as suspeitas de que empresas da Monteiro de Barros seriam laranja do grupo do senador.
A Construtora Ikal teria tomado empréstimos do Banco Barclays e Galicia, garantido pelo Banco OK, para repassar os recursos à Saenco, empresa do mesmo grupo do Banco OK. Como um banco não pode conceder empréstimos a suas empresas coligadas, a operação poderia ser enquadrada em crime do colarinho branco.





