Em poucos minutos, a Polícia Federal armou uma operação especial e prendeu ontem o ex-senador Luiz Estevão, cassado na quarta-feira, acusado de envolvimento no desvio de R$ 169 milhões das obras do Fórum Trabalhista de São Paulo. A ordem de prisão, no entanto, teve como fundamento a gestão fraudulenta de um consórcio em Brasília, um dos 20 inquéritos a que Estevão responde na Justiça.
Quando os quatro delegados da PF e um oficial de Justiça chegaram ao prédio do Grupo OK, sede das empresas de Estevão, encontraram o ex-senador no banheiro de seu escritório, sozinho. ‘‘Vocês podem identificar-se?’’, disse Estevão ao delegado Rogner Miranda, mesmo vendo o distintivo da PF no bolso do policial. Imediatamente, todos os outros delegados puxaram as carteiras funcionais.
De cabeça baixa, o ex-senador leu o mandado de prisão expedido pelo juiz da 10ª Vara Federal, Ronaldo Desterro, e um trecho da Bíblia, que levou para a prisão com uma maleta executiva. O único pedido feito aos policiais foi para sair pela porta dos fundos do prédio. ‘‘Quero evitar execração’’, justificou Estevão.
‘‘Infelizmente, o senhor terá de sair pela garagem por questão de segurança’’, respondeu o delegado Daniel Sampaio, chefe do Comando de Operações Táticas (COT) da PF, responsável pela operação que prendeu o ex-senador.
Estevão também queria evitar a imprensa, o que não foi permitido pelos delegados. Eles não o algemaram, alegando que não se tratava de um preso de alta periculosidade. O ex-senador foi levado à superintendência da PF em carro policial e sob escolta, com cerca de 20 agentes.
Para evitar surpresa durante a prisão de Estevão, a PF fechou todo o prédio do Grupo OK. Ao entrar, os delegados percorreram todos os andares e reuniram os seguranças do ex-senador em um dos elevadores. Os outros elevadores foram bloqueados. Ninguém ofereceu resistência, nem mesmo Estevão, que estava só e não quis dar nenhum telefonema.
O ex-senador comeu apenas um sanduíche ao longo do dia e só telefonou para a mulher, Cleucy, quando chegou ao prédio da PF. No trajeto, pediu emprestado o telefone celular de um dos delegados e falou com seus advogados, que hoje devem entrar com um pedido de habeas-corpus. Pouco depois de sua chegada à PF, chegou sua mulher. Por volta das 18 horas, o senador Gilvan Borges (PMDB-AP) e o deputado Alberto Fraga (PMDB-DF) estiveram na PF, mas não conseguiram falar com Estevão. Ao fim do dia, Cleucy retornou, trazendo uma mala com roupas para o marido.
Por não ter curso superior completo, Estevão ficará em cela comum, mas sozinho, já que a PF teme por sua segurança. Ele terá direito a um telefonema e uma visita semanal à família. O ex-senador recebeu autorização para ter um aparelho de televisão na cela.
O juiz Ronaldo Desterro ordenou a prisão de Estevão como necessária para ‘‘garantia da ordem pública e por conveniência da instrução criminal’’.

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