Estevão depõe durante sete horas e nega ser dono da Incal
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segunda-feira, 07 de agosto de 2000
Elizabeth Lopes e Flávio Melo Agência Estado de São Paulo 
Depois de mais de sete horas de depoimento, o ex-senador Luiz Estevão (PMDB-DF) deixou o prédio do Fórum Criminal da Justiça Federal de São Paulo, ontem por volta das 21 horas, sob forte esquema de segurança. O clima foi de muita confusão. Dois estudantes de Comércio Exterior tentaram jogar ovos em Estevão e foram detidos. O juiz da 1ª Vara Federal, Casem Mazloum, afirmou que o senador cassado defendeu-se de todas as acusações, garantindo que não é sócio da Incal.
Segundo o juiz, o ex-senador afirmou também que não é amigo do juiz aposentado Nicolau dos Santos Neto e que não participou de nenhum esquema ligado ao Fórum trabalhista de São Paulo.
O juiz disse também que liberou o ex-senador para viajar ao exterior porque a Justiça ainda não tem provas de que ele é culpado. O juiz acredita que a medida não deverá, eventualmente, provocar uma possível fuga de Estevão porque ele vem colaborando com a Justiça durante todo esse processo.
Os estudantes João Ricardo, de 21 anos, e Sérgio Mascarenhas, de 22, que jogaram ovos contra o ex-senador foram levados algemados, de camburão. Agentes da Polícia Federal informaram que eles estariam sendo levados para uma cela especial.
Dos mais de dez seguranças particulares de Estevão, três foram detidos ontem para averiguação de porte ilegal de arma, por agentes da Polícia Federal. A prisão ocorreu enquanto o ex-parlamentar prestava depoimento na Justiça Federal de São Paulo. De acordo com os agentes da PF, os seguranças são policiais militares de São Paulo e foram detidos por que estavam à paisana e armados. Um quarto segurança do ex-parlamentar também foi conduzido para dentro do prédio da PF, mas não houve confirmação sobre a detenção dele. Os nomes não foram revelados pela PF.
Estevão depôs ontem no processo-crime que apura a participação dele e a dos empresários Fábio Monteiro de Barros e José Eduardo Teixeira Ferraz, da construtora Incal, no desvio de R$ 169 milhões das obras superfaturadas do Fórum trabalhista de São Paulo. O ex-senador é acusado de seis crimes formação de quadrilha, estelionato, falsidade ideológica, corrupção passiva e peculato.
Ele nega envolvimento com o escândalo. O Ministério Público acredita que o Grupo OK, controlado por Estevão, recebeu pelo menos R$ 34 milhões da Incal, no período entre 1994 e 1998. Os procuradores sustentam que esses recursos seriam parte da verba desviada da construção do Fórum trabalhista de São Paulo.


