Estelionato eleitoral
O prefeito de Astorga (Norte), Arquimedes Ziroldo (PTB), o Bega, definiu o cenário como "um estelionato político eleitoral, a população já está pagando a conta da falta de planejamento dos governos federal e estadual". "Do jeito que a conta subiu vou ter que usar dinheiro de outra fonte ou fazer um reajuste na Cosip." Em abril de 2014 o custo da energia dos prédios públicos era R$ 41,6 mil. Um ano depois, a conta está em R$ 75 mil, mais o custo de manutenção da iluminação pública, de R$ 15 mil. "A arrecadação de 2014 com a Cosip foi de R$ 72 mil, mas neste ano foi de
R$ 73 mil. No encontro de contas, sobrava cerca de de R$ 30 mil, hoje falta."
Na cidade de Cambé (Região Metropolitana de Londrina), que repassou a inflação de 2014 para a Cosip, a situação está mais tranquila. Segundo o secretário de Fazenda, Marcos Gabriel, no primeiro quadrimestre do ano passado, a prefeitura gastou R$ 574 mil com a iluminação pública. No último quadrimestre, gastou R$ 872 mil, mas recebeu cerca de R$ 1,7 milhão na taxa cobrada da população para bancar os serviços nos locais públicos. No mesmo período a conta de energia da prefeitura passou de R$ 221 mil para R$ 435 mil.
Praças no escuro
O prefeito de Assaí (Região Metropolitana de Londrina), Luiz Mestiço (PSDB), afirmou que a conta não fecha. "A gente sobe a Cosip com base na inflação, mas a conta paga para a Copel mais a manutenção que a prefeitura teve que assumir, elevam o custo em 80%." Ele lembrou que a maioria das prefeituras está com dificuldades para fechar a folha de pagamento, que é bancada com os recursos livres do orçamento municipal. "Não vai ser surpresa se daqui a pouco alguns prefeitos começarem a apagar a luz das praças para economizar."
Procurada pela reportagem, a Copel afirmou que a política de reajustes na conta é definida pela Aneel. A agência, por sua vez, deu uma resposta formal sobre as bandeiras tarifárias, "uma novidade a partir de 2015". Reforçou que a bandeira vermelha identifica "condições mais custosas" de geração de energia no País. E a tarifa sofre acréscimo de R$ 0,055 para cada quilowatt-hora kWh consumidos. (E.F.)





