Curitiba A Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR) do Paraná divulgou ontem o resultado integral da auditoria realizada pela GV Consult, braço da Fundação Getúlio Vargas (FGV), sobre os custos de uma eventual encampação das praças de pedágio pelo governo estadual. No início da semana passada, o consultor jurídico do governo, Pedro Henrique Xavier, havia contestado o valor de R$ 4 bilhões alardeado pela ABCR como sendo a quantia necessária para a encampação, e insinuado que a auditoria não teria sido realizada por representantes da FGV, podendo ter sido falsificada.
Ontem, o diretor-regional da ABCR, João Chiminazzo Neto, apresentou o resultado da auditoria realizada pela FGV junto às seis concessionárias do Estado juntamente com uma carta da fundação esclarecendo que a auditoria foi, de fato, realizada pela GV Consult. Na carta, o professor da FGV Francisco Mazzucca lamentou o fato de Xavier ter insinuado que a auditoria não foi feita por professores da fundação. ''São graves as aleivosias lançadas pelo sr. Pedro Xavier, que chega a acusar os coordenadores do projeto de terem inserido o timbre da FGV no relatório como se fossem falsários'', afirma Mazzucca na carta. A Folha tentou contato com Xavier em seu escritório, mas ele não retornou a ligação.
Os cálculos realizados pelos auditores da FGV mostram que, caso o governo realmente opte pela encampação do pedágio, o maior gasto do Estado seria para cobrir os lucros que as concessionárias deixariam de ter nos próximos 18 anos, que é o tempo de vigência dos contratos. No total, R$ 3,4 bilhões seriam pagos às concessionárias a cargo de lucros cessantes, com os R$ 600 mil restantes sendo atribuídos a investimentos, débitos de financimaento e encargos de contratos firmados entre as concessionárias e seus empregados e outras empresas.
Paralelamente à FGV, que realizou sua auditoria em 20 dias, o governo do Estado também prepara uma auditoria há cerca de dois meses para analisar os custos da encampação. A maior divergência entre o governo e a ABCR é sobre a fórmula utilizada para calcular os lucros estimados das concessionárias. ''Caso haja divergência entre os valores da encampação, iremos discutir o assunto para defender os direitos das concessionárias. De qualquer maneira, enviamos cópias do laudo ao governo do Estado e ao Ministério dos Transportes. Na próxima segunda-feira enviaremos a documentação para o Tribunal de Contas da União e para a Assembléia Legislativa para mostrarmos as conclusões da FGV, a entidade mais respeitada em auditorias no Brasil'', afirmou Chiminazzo Neto.

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