Tese defendida publicamente pela primeira vez na eleição de 2006 - evocada pelo governador Roberto Requião (PMDB) -, a estadualização da Sercomtel é tema de estudos de viabilidade há no mínimo três anos. A informação é do presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado do Paraná (Crea-PR), Álvaro José Cabrini Junior, que divulgou ontem a iniciativa da entidade em solicitar ao governo do Estado a criação de uma estatal da telefonia no Paraná.
Segundo Cabrini Jr, a iniciativa foi formalizada em um documento entregue a Requião há cerca de 15 dias - uma semana antes do encaminhamento à Copel do estudo que aponta viabilidade técnica, jurídica e comercial na estadualização. O levantamento foi realizado pela Prefeitura de Londrina, dona de 55% das ações, contra 45% da companhia energética - panorama acionário que o prefeito Nedson Micheleti (PT) já manifestou que deseja ver invertido, com venda de 10% das ações e aporte de capital. A resposta é aguardada para julho.
O presidente do Crea-PR afirmou que o estudo de viabilidade desempenhado pela entidade ''em prol de uma telefônica estatal'' foi cogitado já durante a primeira manifestação de intenção de venda da Sercomtel - em 2001, quando Nedson viu a privatização naufragar, em plebiscito. Ao mesmo tempo, Cabrini Jr salientou que a idéia foi amadurecida na gestão do engenheiro Luiz Antonio Rossafa, presidente do Crea-PR até 2005, e um dos diretores da Copel.
''Quando o Rossafa lançou essa idéia, o apoiamos. Se a Copel já tem tecnologia de ponta nas fibras ópticas, e como havia intenção de venda por parte da Prefeitura, por que não estender o serviço a todo o Paraná? A venda nos parece inevitável; então, que seja estatizada'', defendeu Cabrini Jr, que admite encaminhamentos nesse sentido já desde o primeiro mandato de Nedson e Requião. ''Não nos importa se haverá compra de um percentual mínimo ou de 100% das ações do Município. Mas temos tido um diálogo com o governador e um intercâmbio com o prefeito, pois sabemos que é um processo demorado'', declarou.
O presidente do Crea-PR adotou discurso semelhante ao da administração municipal em relação aos motivos para a venda da telefônica londrinense ao Estado. ''Creio que entre investimentos sociais e em telefonia, optarão pela primeira opção. Até porque a empresa enfrenta porblemas'', destacou. Questionado se seriam problemas de natureza econômica ou gerencial, contudo, preferiu não opinar. Contudo, arriscou: ''Existe um pouco de ingerência política, e a administração pública não pode sofrer isso. É questão de mercado: ou investe, ou fica para trás'', analisou.
Já na Ordem dos Advogados do Brasil no Paraná (OAB-PR), o clima ante a estadualização é de cautela. ''A venda dos 45% das ações, em 1998 (tema de dezenas de ações que denunciam desvios de recursos), foi uma das mais lastimáveis da história de Londrina. Caso optem pela venda, terão que ouvir funcionários e setores da sociedade, em reuniões, ou audiências públicas, e pré-definir onde o dinheiro oriundo dessa venda será investido'', avaliou o presidente da OAB-PR, Alberto de Paula Machado.

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